Está a escrever um romance cujo protagonista é uma criança? O público-alvo do seu livro são as crianças? Gostaria que o seu texto reflectisse o olhar de uma criança? Nenhum destes objectivos é fácil para o adulto. Diremos até que se trata de um empreendimento difícil para o adulto, detentor de uma maior experiência de vida, reencontrar a frescura e a ingenuidade características da infância. Mas não desespere!

 

colocar-ºse na pele de uma criança

 

Inspirados em Betty Wilson Beamguard (Writer Mag), trazemos-lhe 5 dicas que o poderão ajudar nesta árdua tarefa:

 

Inspire-se directamente na fonte

 

Os pensamentos, os actos e os diálogos devem sempre estar em consonância com a personagem, certo? Mas o que fazer quando desconhecemos o que pensa uma criança? Passe à prática: adopte uma atitude empírica. Se não tem filhos, nem sobrinhos, passe o fim-de-semana com amigos que tenham crianças da idade da sua personagem. Leia livros infantis destinados a esta faixa etária e explore as prateleiras dedicadas à literatura técnica sobre a infância (os livros de psicologia podem ajudar bastante). Se conhecer educadores de infância, não hesite em falar com eles, pois poderão esclarecê-lo sobre os comportamentos das crianças.

 

 

Viaje até à sua própria infância

 

Talvez já se tenha esquecido, mas as crianças são impressionáveis, mais do que os adultos. Alguns acontecimentos positivos ou negativos, insignificantes para o adulto, podem assumir proporções enormes para a criança e marcá-la para sempre. Cabe-lhe, a si, encontrar exemplos de acontecimentos que poderiam assumir uma grande importância aos olhos da sua personagem. Para tal, procure nas gavetas da sua própria memória, certamente encontrará alguns episódios que valerão a pena ser contados.

 

 

Estimule a sua imaginação

 

Se existe algo que não suscita dúvida é que as crianças têm uma imaginação transbordante! Associado a esta característica está o facto de, maioritariamente, tomarem as expressões literalmente. Imagine o efeito que poderá ter na sua personagem ouvir determinadas expressões como: “estar com o coração nas mãos”, “engolir um sapo”, “o gato comeu-te a língua?”, “estar com a pulga atrás da orelha”, etc.

 

 

Fale como uma criança

 

Lamentamos informá-lo de que não basta atribuir pensamentos de criança à sua personagem para que ela seja credível. É indispensável que ela se exprima como uma verdadeira criança.  A escolha das palavras a utilizar nos diálogos é por isso determinante. Para estar seguro do vocabulário que usa ou da construção frásica que emprega, nada como ir recolher informação à fonte: às crianças. Sem assustar os pais, passe algum tempo nos parques infantis ou à saída das escolas para ouvir as palavras e a forma de expressão das crianças. E, sobretudo, tenha cuidado em não confundir as idades! Há todo um mundo que separa a forma como uma criança de 6 anos comunica e a linguagem de uma criança de 9 anos, por exemplo!

 

 

Lembre-se de que as crianças não são perfeitas

 

Enquanto adultos atribuímos frequentemente qualidades de perfeição à infância: são tão pequenas, tão indefesas, tão inocentes, que só podem ser perfeitas… Mas, na realidade, as crianças mentem, nem sempre tomam o partido dos mais fracos, e são capazes de maltratar outras crianças e animais, sobretudo se lhes tiverem feito algum mal. Tenha isso sempre em conta para as suas personagens.

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