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O holandês Thijs Biersteker desenvolveu uma aplicação capaz de “delito de fácies”. Uma aplicação que permite avaliar a reacção do leitor relativamente à capa de um livro. Se a expressão do seu rosto for julgada como céptica, então o livro não se poderá abrir!

 

Sem dúvida que já lhe aconteceu julgar um livro pela sua capa, certo? De facto, já é mais do que sabido que uma capa apelativa vende. Os anglo-saxónicos até têm uma expressão metafórica alusiva: don’t judge a book by its cover que revela o quanto não nos devemos deixar levar pelos nossos preconceitos quando atribuímos valor a algo apenas baseados na sua aparência. Bem, mas se nada disto é novidade, saiba que já é possível hoje em dia que seja a capa do livro a julgá-lo a si! É ela que autoriza ou não a abertura de um livro em função da expressão do seu rosto! Incrédulo(a)? É mesmo verdade!

 

Thijs Biersteker, da agência de design holandesa Moore, criou um novo meio para personalizar ainda mais a relação entre um livro e o seu leitor. Esta aplicação utiliza a tecnologia para o reconhecimento facial através da integração de uma câmara. O objectivo consiste em avaliar a expressão do nosso rosto para assim decidir da abertura ou não do livro que seguramos entre as mãos. Nas palavras do seu criador, este sistema permite “criar uma capa com características humanas através de uma tecnologia simples. Se o seu rosto expressar cepticismo, o livro não se abre. Mas se a sua expressão for neutra, o sistema envia um sinal áudio, abrindo-se à sua leitura.” E acrescenta: “julgar nunca deveria arrefecer o entusiasmo imediato que sentimos quando vemos as coisas pela primeira vez”.

 

Fonte: http://thecoverthatjudgesyou.com/

 

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elementos da escrita

Todas as histórias requerem um bom enredo. Identificar o tipo de história que prefere escrever é, em si, todo um enredo! De acordo com a escritora norte-americana, Amanda Patterson, existem quatro elementos dominantes nas histórias que escrevemos e lemos: o ar (mistério), a terra (cenário), a água (personalidade) e o fogo (acontecimento). A escolha de um destes elementos reflecte a sua paixão, e é precisamente sobre esse elemento que se deverá concentrar. Tal não implica que exclua totalmente os restantes elementos. Apenas quer dizer que encontrou a sua “voz” e escreve de acordo com as suas forças. Vejamos cada um destes elementos, primeiro passo para identificar qual o elemento que mais se adapta ao seu estilo de escrita.

 

 

Ar – Mistério

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O Ar questiona. Se o seu enredo gira em torno do questionamento – revelar informação, investigar, ir em busca de algo e procurar pistas – o mistério é o seu elemento mais importante. A sua história começa com uma pergunta e acaba com uma resposta. Todos os mistérios seguem o formato da procura, tal como em todas as histórias de aventura.

 

 

Identificou este elemento com a sua forma de escrever? Então, concentre-se em criar um personagem que tenha por missão procurar e encontrar quem está por trás do mistério, qual o seu modus operandi e as suas razões. Conte a história da perspectiva quer do protagonista, quer do antagonista.

 

 

Terra – Cenário

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A terra experiencia. Se o seu enredo gira em torno do mundo que criou, o cenário é o seu elemento mais importante. O seu personagem viaja num novo “mundo”, troca e escolhe ficar nesse “mundo” ou voltar para de onde veio. A sua história começa quando o seu personagem chega ao cenário que criou e acaba quando se vai embora (ou decide ficar). Algumas histórias de Ficção Científica e de Fantasia encaixam-se nesta categoria, assim como concorrem para este tipo de narrativa as viagens históricas e pioneiras.

 

Identificou este elemento com a sua forma de escrever? Então, concentre-se em criar um personagem que explora e descobre a sua criação. Conte a história do ponto de vista do protagonista.

 

 

Água – Personalidade

 

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A água sente. Se o seu enredo gira em torno da sua personagem que se transforma, a personalidade é o seu elemento mais importante. O papel do seu protagonista no enredo que criou vai mudando. A sua história começa com a infelicidade do personagem ou com a sua necessidade de transformação que o conduz à mudança, acabando quando ele aceita um novo papel ou permanece no mesmo. O protagonista pode acabar feliz ou infeliz, de acordo com o final que tiver criado.

 

Identificou este elemento com a sua forma de escrever? Então, concentre-se em adicionar os ingredientes que permitam ao leitor assistir à sua transformação. Conte a história do ponto de vista do personagem, fazendo uso da primeira ou da terceira pessoa do singular. Utilizar outros personagens como criadores de opinião sobre o protagonista ajuda a trazer mistério, textura e perspectiva à sua trama.

 

 

Fogo – Acontecimento

 

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O fogo age. Se o seu enredo gira em torno de algo que aconteceu e que fez com que o mundo se tornasse perigoso, por exemplo, o acontecimento é o seu elemento mais importante. A sua história começa quando se percebe um perigo iminente que se transforma numa batalha. A história acaba quando uma nova ordem é estabelecida, uma antiga é restaurada ou quando a anarquia vence. A trama é a busca dessa ordem. Todas as histórias de Ficção Científica e de Fantasia utilizam este tipo de “acontecimento” como premissa. Nelas o herói tem de encontrar algo ou alguém que possa salvar o mundo. Por vezes, o protagonista é o salvador.

 

Identificou este elemento com a sua forma de escrever? Evite incorrer no erro de utilizar um narrador, pois é a perspectiva do personagem que experiência a história que importa. É o protagonista que conduz o leitor através do que sabe e percebe (acção). O leitor apenas se identifica com a história, se existir identificação com o personagem.

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A estrutura da narrativa, a consciência e a personalidade humana têm sido, ao longo dos séculos, alvo de toda a nossa atenção. Quantos não dedicaram as suas vidas a pensar e a procurar explicá-las? O galardoado escritor escocês Ewan Morrison propõe uma nova abordagem à reflexão cultural, baseada no estudo dos ciclos. Segundo o próprio, esta abordagem permitiria antecipar as próximas tendências editoriais, assim como escrever o texto certo no momento certo, em função da corrente literária em voga.

 

Como defendeu na Feira do Livro de Frankfurt, este mês, as grandes ideias simbolizam um conteúdo intrinsecamente ligado ao nível mediático e universalmente partilhado. Na sua perspectiva, os livros, os filmes e a arte em geral são expressões dessas grandes ideias que se manifestam ciclicamente. Mas de que ideais estamos a falar? Quais serão estes temas que reiteradamente são expressos pelos artistas?

O livro em 7 temas

Ewan Morrison aponta sete grandes ideias, sete grandes temas recorrentes na tradição livresca. Este número altamente simbólico está fortemente ancorado na literatura. Nos anos 40 do século XX, a análise das componentes basilares do enredo dos contos populares russos realizada por Vladimir Propp identificava sete características de personagens no conto – o agressor, o doador, o auxiliar, a princesa ou o pai, o que manda, o herói e o anti-herói. Em 2004, o jornalista e autor britânico, Christopher Booker evidenciava no seu livro The Seven Basic Plots: Why we tell stories sete enredos originais: o confronto com o monstro, da miséria à riqueza, a descoberta, a viagem e o regresso, a comédia, a tragédia e a ressurreição. Segundo Morrison, estes exemplos mostram que a narrativa e a criação das personagens repousam em fundamentos antigos e universais. Vejamos então os sete temas propostos:

 

A verdade de ser

Morrison fala aqui de introspecção. O questionamento é o princípio fundador desta ideia, muito em voga nos anos 20 e 50, e simbolizada pela ficção realista americana da década de 70 do século passado.

 

A distopia

Uma distopia ou antiutopia remete para uma narrativa que descreve uma sociedade imaginária, organizada de tal maneira que impede a felicidade e/ou a liberdade. Fenómeno literário destes últimos anos, a distopia não é recente. Platão, Hobbes, Rousseau ou ainda Orwell teceram obras verdadeiramente incontornáveis abordando este tema.

 

O amor e a luxúria

Esta grande ideia dominante mos anos 60 do século XX, antes de ser banida durante aproximadamente quatro décadas, manifesta-se hoje claramente nos romances O Crepúsculo de Stephenie Meyer ou Cinquenta sombras de Grey de E. L. James.

 

Os heróis

Desde sempre poupulares, os heróis pululam na literatura, sendo este tema incarnado na perfeição nas ficções da Marvel e da sua eterna rival, a DC Comics.

 

O sobrenatural

Elemento-chave em numerosos filmes dos anos 70, o sobrenatural permanece hoje repleto de promessas para o futuro.

 

A nostalgia

Esta ideia, muito em voga no início deste século invadiu o nosso imaginário com um estilo retro, quer na música, quer na moda.

 

O mal

Os assassinos em série do final do século XX personificam este tema, seja nas páginas dos livros, seja nas telas dos cinemas, ou nas séries de televisão.

 

Fonte: Ewan Morrison  ̶  Publishing Perspectives

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3

 

Há muitas décadas que o Cinema se apropriou do livro.

 

Não há ano que passe em que não seja noticiada a última adaptação de um best-seller ou de uma obra literária de referência — podem não significar a mesma coisa.

 

Vejamos o que quatro autores têm a dizer sobre a adaptação feita às suas obras.

 

James Ellroy, muito sóbrio e sucinto:

 

Brown Requiem, sem comentários. Cop, sem comentários. LA Confidential, filme maravilhoso. The Black Dahlia, filme maravilhoso.”

 

 

Anne Rice, acerca da adaptação de Entrevista com o Vampiro:

 

“Fiquei particularmente surpreendida pela escolha de Tom Cruise que está para o meu vampiro Lestat como Edward G. Robinson está para Rhett Butler.” Depois de ter visto o filme, a autora disse ter gostado.

 

 

Bret Easton Ellis, nada convencido pela adaptação de A Última Viagem em Beverly Hills:

 

“Estava fantástico. É por isso que foi melhorando à medida que foi envelhecendo. Envelheceu bem. Suponho que se não houvesse o romance, gostaríamos ainda mais dele, mas há o romance que acaba por estragar tudo.”

 

 

Vladimir Nabokov, antes de ver Lolita, de Stanley Kubrick:

 

“Este filme pode resultar numa encantadora bruma matinal, tal como a vemos através de um mosquiteiro, ou pode equivaler às curvas de uma estrada panorâmica, tal como um passageiro na horizontal pode sentir numa ambulância.”

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Todos conhecem a madalena de Proust, aquele pequeno bolo que submerge o narrador de Em Busca do Tempo Perdido em memórias do passado. A analepse utilizada por Proust no último volume, O Tempo Reencontrado, publicado depois da sua morte, teve tanto impacto que é hoje comum a referência à “madalena de Proust” para designar algo que nos faz reviver o passado por breves instantes.madeleines

Um jornalista da revista norte-americana Slate, fazendo a experiência da mais famosa cena de Combray, detectou uma incongruência: não caíam migalhas, como o narrador tão deliciosamente descrevia! Após inúmeras pesquisas e uma análise dos manuscritos originais e dos esboços do autor, o jornalista encontrou a pérola! Afinal, Proust teria andado indeciso quanto à iguaria que faria o narrador permanecer em suspenso na memória. De acordo com a pesquisa, as eleitas teriam sido, primeiramente, uma fatia de pão torrada e, depois, uma tosta. A madalena, mais feminina e nobre, ganhou, no entanto, a partida, ficando para sempre inscrita na história da literatura e não só!

 

Fonte: Lire, Hors-Série, n.º 16.

Crédito foto : www.frenchetc.org

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Autores independentes, amigos e clientes da Monóculo, aqui seguem cinco razões para não abandonarem os vossos projectos editoriais. Razões?! Pelo menos cinco exemplos de autores que não desistiram, apesar das recusas. Cinco autores que os leitores não teriam conhecido. Cinco livros que nunca teriam visto a luz do dia se não fosse pela persistência dos seus autores — condição, como sabem, imprescindível na edição independente.

 

 

Harry Potter e a Pedra Filosofal, de J. K. Rowlings

Recusado 12 vezes

O conjunto da série já vai em mais de 450 milhões de exemplares vendidos em todo o Mundo — por enquanto. Sem falar das versões cinematográficas que foram um gigantesco sucesso.

 

 

Crepúsculo, de Stephenie Meyer

Recusado 14 vezes

100 milhões de exemplares vendidos. Moda? Talvez, mas à décima quinta vez, acertou em cheio junto dos leitores, e não só.

 

 

 

Duna, de Franck Herbert

Recusado 19 vezes

Considerado por muitos como o melhor romance de ficção científica de sempre, sendo reconhecido o seu valor mal atingiu os escaparates das livrarias, em 1965, esta obra equivale a uma das maiores vendas de toda a história deste género literário.

 

O Deus das Moscas, de William Golding

Recusado 20 vezes

Este romance ao qual nenhum leitor pode ficar indiferente vendeu, desde a sua publicação, mais de 7 milhões de exemplares. William Golding, o seu autor, apenas viria a ser galardoado com o prémio Nobel da Literatura, em 1983!

 

E tudo o vento levou, de Margaret Mitchell

Recusado 38 vezes

Quem diria que este livro que deu aso a um dos maiores sucessos na história do cinema teria sido tantas vezes recusado. Com mais de 30 milhões de exemplares vendidos desde a sua publicação, detentor do prémio Pulitzer em 1937, é de estranhar a sua ausência em português nas nossas livrarias.

 

Fonte: www.newpublisherhouse.com
 
 

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E se em vez de um brinquedo, lhes oferecêssemos um livro?…

 

A mais conhecida marca de fast-food no Mundo propôs substituir os habituais “brinquedos” por livros em mais de 20 milhões de Happy Meals, entre os próximos dias 1 a 15 de Novembro.

 

Seguramente tal equivale à maior distribuição de sempre de livros em apenas duas semanas, mas poderá esta novidade fazer esquecer as críticas de que tem sido alvo esta cadeia norte-americana, nomeadamente no que diz respeito à obesidade infantil?

 

Fonte: USA Today

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