elementos da escrita

Todas as histórias requerem um bom enredo. Identificar o tipo de história que prefere escrever é, em si, todo um enredo! De acordo com a escritora norte-americana, Amanda Patterson, existem quatro elementos dominantes nas histórias que escrevemos e lemos: o ar (mistério), a terra (cenário), a água (personalidade) e o fogo (acontecimento). A escolha de um destes elementos reflecte a sua paixão, e é precisamente sobre esse elemento que se deverá concentrar. Tal não implica que exclua totalmente os restantes elementos. Apenas quer dizer que encontrou a sua “voz” e escreve de acordo com as suas forças. Vejamos cada um destes elementos, primeiro passo para identificar qual o elemento que mais se adapta ao seu estilo de escrita.

 

 

Ar – Mistério

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O Ar questiona. Se o seu enredo gira em torno do questionamento – revelar informação, investigar, ir em busca de algo e procurar pistas – o mistério é o seu elemento mais importante. A sua história começa com uma pergunta e acaba com uma resposta. Todos os mistérios seguem o formato da procura, tal como em todas as histórias de aventura.

 

 

Identificou este elemento com a sua forma de escrever? Então, concentre-se em criar um personagem que tenha por missão procurar e encontrar quem está por trás do mistério, qual o seu modus operandi e as suas razões. Conte a história da perspectiva quer do protagonista, quer do antagonista.

 

 

Terra – Cenário

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A terra experiencia. Se o seu enredo gira em torno do mundo que criou, o cenário é o seu elemento mais importante. O seu personagem viaja num novo “mundo”, troca e escolhe ficar nesse “mundo” ou voltar para de onde veio. A sua história começa quando o seu personagem chega ao cenário que criou e acaba quando se vai embora (ou decide ficar). Algumas histórias de Ficção Científica e de Fantasia encaixam-se nesta categoria, assim como concorrem para este tipo de narrativa as viagens históricas e pioneiras.

 

Identificou este elemento com a sua forma de escrever? Então, concentre-se em criar um personagem que explora e descobre a sua criação. Conte a história do ponto de vista do protagonista.

 

 

Água – Personalidade

 

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A água sente. Se o seu enredo gira em torno da sua personagem que se transforma, a personalidade é o seu elemento mais importante. O papel do seu protagonista no enredo que criou vai mudando. A sua história começa com a infelicidade do personagem ou com a sua necessidade de transformação que o conduz à mudança, acabando quando ele aceita um novo papel ou permanece no mesmo. O protagonista pode acabar feliz ou infeliz, de acordo com o final que tiver criado.

 

Identificou este elemento com a sua forma de escrever? Então, concentre-se em adicionar os ingredientes que permitam ao leitor assistir à sua transformação. Conte a história do ponto de vista do personagem, fazendo uso da primeira ou da terceira pessoa do singular. Utilizar outros personagens como criadores de opinião sobre o protagonista ajuda a trazer mistério, textura e perspectiva à sua trama.

 

 

Fogo – Acontecimento

 

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O fogo age. Se o seu enredo gira em torno de algo que aconteceu e que fez com que o mundo se tornasse perigoso, por exemplo, o acontecimento é o seu elemento mais importante. A sua história começa quando se percebe um perigo iminente que se transforma numa batalha. A história acaba quando uma nova ordem é estabelecida, uma antiga é restaurada ou quando a anarquia vence. A trama é a busca dessa ordem. Todas as histórias de Ficção Científica e de Fantasia utilizam este tipo de “acontecimento” como premissa. Nelas o herói tem de encontrar algo ou alguém que possa salvar o mundo. Por vezes, o protagonista é o salvador.

 

Identificou este elemento com a sua forma de escrever? Evite incorrer no erro de utilizar um narrador, pois é a perspectiva do personagem que experiência a história que importa. É o protagonista que conduz o leitor através do que sabe e percebe (acção). O leitor apenas se identifica com a história, se existir identificação com o personagem.

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Há quem diga que falar de emoções é meio caminho andado para as sentirmos. Será?

 

Se por exemplo um autor, falando da sua personagem, escrever: “ele estava triste”, eu, enquanto leitor, identificar-me-ei com a sua tristeza? Será que este autor terá criado as condições para o leitor sentir empatia para com a sua personagem?

 

Criar emoção no leitor by Monóculo

 

Nas palavras de Hemingway uma história consiste numa “sequência de movimentos e de factos”. Segundo o autor de O Velho e o Mar, uma sequência de acontecimentos correctamente encenados numa história permite criar um estímulo que, por seu lado, conduz o leitor a sentir a emoção que o autor procura suscitar. Ora aí está uma dica preciosa para provocar emoções em quem nos lê!

 

Voltando ao exemplo anterior, o facto de o autor nos dizer que a sua personagem está triste não provoca em nós empatia. Enquanto leitores precisamos de mais… Queremos nos envolver com as situações da história e experimentar o que as personagens estão a viver.

 

Uma sequência de acontecimentos cria na personagem determinadas emoções e é, precisamente, por essa via que o leitor se emociona. Para consegui-lo, o autor deve recorrer a todos os sentidos, elaborando assim descrições multidimensionais.

 

Ter apenas em conta o sentido da visão, por exemplo, cria quase sempre um efeito “liso”. Na fase da revisão do seu texto dedique uns minutos à reflexão sobre quais os sentidos que empregou. Assegure-se de que cada cena apresenta um detalhe proveniente de outro sentido que não seja apenas o da visão. Desta forma, o leitor poderá mergulhar na história e senti-la realmente.

 

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5 razões para ler
Existem inúmeras técnicas para melhorar a nossa escrita. Mas a leitura permanece a ferramenta essencial para qualquer autor. Quem escreve, dificilmente consegue dissociar esta actividade da leitura.

 

Ora vejamos:

 

Ler dá prazer! Remete para um momento de desprendimento durante o qual deixamos por instantes de ser quem somos para encarnar o protagonista que se revela página a página. Tímidos, valentes, bons ou maus; pouco importa, somos livres de nos sentirmos próximos de quem desejarmos. Quem, para além de nós mesmos, assiste?

 

Ler permite reforçar a nossa cultura ao mesmo tempo que nos mantém actualizados. Ora, tal pode ser útil, não só quando procuramos uma ideia para um novo livro, como também quando temos de tomar decisões em relação à nossa publicação — edição tradicional, edição independente? Publicar física ou digitalmente? Entre tantas mais perguntas. Nada como nos mantermos ao corrente do que se passa, portanto.

 

Ler enriquece-nos de palavras, frases, metáforas que, inconscientemente, nos ajudam a escrever os nossos próprios textos. A leitura reforça o nosso vocabulário através da descoberta de palavras, expressões e imagens que não temos por hábito utilizar.

 

Ler conduz ao armazenamento de ideias e exemplos que poderemos transformar, misturar e explorar nos nossos próprios escritos.

 

Ler regularmente faz com que nos demos conta dos nossos progressos. Quanto mais escrevermos, mais trabalharemos os nossos textos e mais nos aperceberemos que já não somos capazes de aceitar a mediocridade.

 

BOAS LEITURAS!!

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Dica da semana Monóculo

 

Está com dificuldades em descrever as emoções e as sensações vividas pelas suas personagens quando se encontram num determinado espaço? Para aceder às palavras certas, mergulhe nas suas memórias. Procure em primeiro lugar um local onde se sentia sereno e em segurança. Tente lembrar-se das características desse local e tome nota.

 
 

Depois, proceda ao mesmo exercício, só que desta vez num local onde se sentiu particularmente desconfortável e tente encontrar as razões para esse mal-estar. Poderá repetir o exercício vezes sem conta para cada emoção que deseja descrever. Tal ajudá-lo-á a compreender como é que as características de um local podem influenciar as personagens.

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O local onde decorre a acção do seu texto revela ambientes múltiplos, consoante é apresentado de dia ou de noite, em Janeiro ou em Agosto.

 

Para se familiarizar com todas estas mudanças, e permitir-se dar conta das mesmas de forma realista, esteja atento ao tempo que passa!

 

 

Se o local da acção decorre perto de onde mora, prefira conhecê-lo de forma presencial. Visite o local diversas vezes e em momentos diferentes do dia e da noite.Permaneça o tempo suficiente para absorver a atmosfera e tomar nota do que acontece. Renove este exercício ao longo do tempo para se aperceber do impacto das estações, por exemplo.

 

Para lembrar-se de todos os elementos, tire também fotografias.

 

Boa escrita e até à próxima dica…

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bairro

 

Quando descrever um bairro lembre-se de se informar sobre o que aí aconteceu no passado.Alguma batalha terá aí sido travada, por exemplo? Quanto aos nomes das ruas, de quem ou do que é que falam?

Evocar o passado no qual decorre a acção pode ajudá-lo a descrever as emoções das suas personagens.

 

 

Boa escrita e até à próxima dica…

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Não tenha medo da palavra exercício. Em nada melindra o talento de um autor e pode ser muito eficaz quando a sua imaginação está mais em baixo.

Por exemplo, escolha o princípio de uma frase como: “Ele não podia evitar…” ou “Qual não foi a sua surpresa quando…”, ou ainda “Fazia tão escuro que…”.

A seguir, use um cronómetro ou o seu despertador para que toque dentro de 15 a 30 minutos. Concentre-se no princípio da frase e no que a mesma inspira em si. Tente descrever uma cena ou uma personagem a partir dessa frase. Repita o exercício quantas vezes precisar!

 

Boa escrita e até à próxima dica…

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