Melhore a sua ortografia e a sua gramática

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Não é obrigatório que estude gramática nem ortografia durante horas e horas, todos os dias!O que lhe propomos é bem mais simples e não lhe roubará muito tempo.Releia uma regra por semana e procure aplicá-la nos seus escritos. Apesar de existirem correctores ortográficos muito bons, conhecer as regras gramaticais e ortográficas faz parte das competências que um escritor deve desenvolver para melhorar o seu estilo.

 

 

Vá à caça das repetições

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Não há nada de mais entediante do que ler um romance e tropeçar constantemente em repetições. Quando escrever ou quando estiver a corrigir o seu texto, identifique as repetições. Seja em meia dúzia de linhas ou numa página inteira, tudo vai depender do seu grau de exigência! O que fazer quando as identificar? Substitua-as por perífrases ou sinónimos.

 

 

 

Evite as generalidades

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Adquira o hábito de dizer as coisas de forma exacta. Uma óptima maneira de começar é a de procurar substituir os verbos ser, ter e fazer, por termos que correspondam ao que deseja exprimir. Aplique a mesma receita quando pretender descrever uma cena, uma personagem ou um ambiente. Dizer “gosto do sabor deste prato” não ajuda o leitor a apreender as sensações gustativas do narrador ou da personagem que fala.

 

 

Escreva frases curtas

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Enuncie as suas ideias de forma clara através de frases curtas. É claro que ao fazê-lo não deverá esquecer o ritmo geral do seu texto. Uma sucessão de frases com apenas três palavras cada, não é forçosamente agradável. Mas uma frase demasiado longa com um número importante de proposições é mais difícil de escrever e pode ser mal compreendida pelos seus leitores. Por isso, quando escrever não se esqueça de segmentar as suas ideias em frases mais curtas!

 

 

Cuidado com as palavras pequenas

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Evite o uso desproporcionado de conjunções (coordenativas, subordinativas), assim como de pronomes demonstrativos (este, esse, aquele) e relativos (que, qual, cujo, etc.) que sobrecarregam as frases. Em simultâneo, procure utilizar apenas uma pequena quantidade de preposições.

Um conselho suplementar: Não se esqueça do famoso ditado de que ninguém nasce ensinado. A escrita aprende-se! Seja paciente e perseverante… Não há razão para não encontrar o seu próprio estilo!

 

 

Trabalhe a sua pontuação

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Quando escrever, preste atenção à pontuação, pois representa a respiração da sua frase. Um erro de pontuação pode mudar completamente o sentido de uma frase. Para testar a sua pontuação, não hesite em reler os seus textos em voz alta. Abrande o ritmo e marque pausas ao nível dos sinais de pontuação. Não se esqueça de dar o tom que deseja comunicar à sua leitura.

 

 

Leia

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Para trabalhar o seu estilo, crie tempo para ler. Escolha prioritariamente obras do mesmo género literário daquele que está a trabalhar, sem negligenciar géneros que lhe são menos familiares. Seja literatura clássica, sejam autores de sucesso contemporâneos, leia!

 

 

 

 

 

Enriqueça o seu vocabulário

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Tal como para a gramática e para a ortografia, e no que diz respeito ao vocabulário, não se limite ao que já adquiriu. Tenha um caderno sempre consigo, no qual possa escrever palavras que encontra ao longo das suas leituras ou no dia-a-dia. Escolha palavras que lhe sejam desconhecidas, que usa pouco ou aquelas de que gosta. Quando escrever, procure inspiração no seu caderno! Os jogos de escrita são igualmente um bom meio para enriquecer o seu vocabulário, uma vez que os obstáculos obrigam, frequentemente, a procurar sinónimos.

 

 

 

(re)Descubra as figuras de estilo

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Alegorias, aliterações, onomatopeias, anáforas, eufemismos, disfemismos, hipérboles, metáforas, elipses, animismos, perífrases… são noções empoeiradas para si? Então, não hesite em procurar as suas definições para melhor compreender o seu significado. Aperceber-se-á do quanto estas figuras de estilo, entre outras, poderão transformar-se em poderosas aliadas para dar profundidade aos seus escritos!

 

 

 

Procure pareceres exteriores

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Afaste o medo e não perca a oportunidade de submeter os seus textos a leitores. Se deseja progredir rapidamente, escute os conselhos que lhe dão. Confie nas suas capacidades, mas não se deixe levar pelo orgulho!

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A ficção exige múltiplas ideias que, por vezes, são difíceis de encontrar. No entanto, no quotidiano, a inspiração rodeia-nos por todo o lado! Seguem algumas dicas para que ela não lhe escape mais.

quotidiano

Observe quem o rodeia

Numerosos autores foram ou são, antes de mais, bons observadores. Mark Twain, por exemplo, criou a personagem de Huckleberry Finn (As aventuras de Huckleberry Finn, 1884) a partir de alguém que conhecera. O protagonista da história é uma réplica quase perfeita do seu amigo de infância, Tom Blakenship. A propósito da sua personagem, Mark Twain afirmava: “Tracei o retrato exacto do Tom Blakenship para descrever Huckleberry Finn. Era um ignorante, sujo, subnutrido, mas tinha um coração de ouro. Tomava todas as liberdades e era, no fundo, a única pessoa realmente independente da nossa comunidade. Neste sentido, ele era perpetuamente feliz e nós invejávamo-lo por isso”.

 

Analise a história e a actualidade

Para escrever As Vinhas da Ira, John Steinbeck inspirou-se directamente nos emigrantes da grande depressão. Vencedor do prémio Pulitzer, este romance aborda a injustiça social e as causas da pobreza e da opressão. Segundo o autor, tratava-se sobretudo de “expor os sacanas gananciosos responsáveis por tudo isto [a Grande Depressão e suas consequências]”.

As fontes de inspiração são, portanto, numerosas nos debates religiosos, sociais ou políticos. Se encontrar o que lhe convém, foque a sua atenção nesse tema e informe-se sobre o mesmo para ser credível e pertinente.

 

Coloque questões a si próprio

Considerado o melhor livro de ficção juvenil de 2008 pelo New York Times e pela Publishers Weekly, o livro e a trilogia Os Jogos da Fome, de Suzanne Collins, abordam um espectáculo anual de luta até à morte entre adolescentes. A autora partilha a forma como se inspirou para a escrita destes livros: “Uma noite em que estava muito cansada fiz zapping na televisão. Vi todas aquelas imagens dos reality shows, nos quais aqueles jovens competem para ganhar um milhão de dólares ou encontrar o amor. E depois acabei por ir dar a umas sequências da guerra no Iraque. Estes dois elementos fusionaram de forma avassaladora na minha mente: foi assim que nasceu a história de Katniss”. Observe o mundo ao seu redor. Alguns acontecimentos são horrendos, outros, belos. Quais serão as conexões que pode estabelecer entre realidades tão diferentes? Qual é a sua visão do futuro? Colocar a si mesmo estas perguntas é uma das melhores maneiras de encontrar a via da escrita.

 

Sonhar

Se tem a sorte de recordar-se dos seus sonhos ou aprendeu a fazê-lo, não hesite em tomar notas sobre os mesmos. Foi precisamente o que fez Stephen King no seu romance Misery, encontrando o mote para a sua história a partir do mundo dos sonhos, do seu próprio imaginário inconsciente. A propósito da sua inspiração, o autor revela: “Como em vários dos meus livros, as ideias vieram-me de um sonho. Dormitando no avião, imaginei uma mulher que mantinha um escritor preso antes de o matar e o esfolar. Depois de dar os seus restos aos porcos, a protagonista encadernou o romance escrito pela vítima com a sua própria pele. A sua pele, a pele do autor. Pareceu-me que deveria escrever esta história. É claro que a intriga foi ligeiramente alterada no decurso do processo de escrita”.

 

Fonte: Writing Forward

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Escolher as palavras certas para se exprimir é fundamental para tornar a escrita mais clara e atraente. Segundo a bloguista norte-americana Melissa Donovan, especialista em escrita criativa, existem algumas características que não devemos esquecer para o nosso texto não cair na monotonia, nem na banalidade. Vejamos então alguns desses objectivos a não perder de vista:

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A precisão: cada palavra tem a sua importância. Deverá utilizar a expressão mais exacta possível e que exprima com maior rigor o que deseja transmitir. Exemplo: as cores.

 

A conotação: esteja consciente do sentido profundo das palavras que usa. A relação entre o sentido próprio e o figurado constitui toda a riqueza de um escritor.

 

A estética: várias palavras são possíveis para um único e mesmo significado. Está em seu poder trabalhar as frases, preste atenção à musicalidade da sua expressão escrita.

 

A clareza: é o objectivo último da comunicação. Se a sua escrita for opaca, a relação com o leitor ficará comprometida. Alguns leitores adoram reler um mesmo parágrafo vezes sem conta antes de compreendê-lo, mas tal não é o caso para a grande maioria. Se necessário, não hesite em reescrever o texto até que ele seja claro.

 

A simplicidade: less is better! Não complique. Exprima uma ideia simples em poucas palavras em vez de escrever duas páginas.

 

A fluidez: leia o seu texto em voz alta. Saberá imediatamente se ele flui naturalmente ou se precisa de ser mais trabalhado.

 

 

Fonte: Melissa Donovan, Writing Forward.

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Há muito tempo que deseja escrever a sua própria biografia, mas tem medo de que a sua memória lhe troque as voltas? Afaste os receios! O processo autobiográfico implica necessariamente a introspecção, e apresentamos-lhe seguidamente quatro dicas que o poderão ajudar a fazer a triagem das suas memórias e a escrever uma biografia interessante e pertinente.

 

Seleccione as suas memórias para melhorar a estrutura da sua narrativa

 

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Escrever uma autobiografia pode parecer mais fácil do que escrever um romance, é certo. É verdade que conhece os acontecimentos já que os viveu, mas não se trata apenas de despejá-los directamente no papel. Se já tentou o registo biográfico sabe que tudo parece importante quando falamos sobre a nossa vida ou a da nossa família, desde os elementos mais dramáticos aos mais corriqueiros. Ao escrevermos sobre nós mesmos tendemos a redigir centenas de rascunhos nos quais evocamos episódios ou passagens inteiras da nossa vida. Os acontecimentos podem até ser reveladores ou perturbadores, mas no final não serão incluídos na narrativa por nada acrescentarem à mesma. Evite afundar-se nos seus numerosos manuscritos! Aprenda a separar as suas ideias e os seus rascunhos, a fim de obter uma autobiografia estruturada e pertinente.

 

 

Utilize a flexibilidade do género

 

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A cronologia pode não ser a ferramenta mais eficaz para organizar o seu texto. Evite pensar a sua autobiografia de acordo com planos do tipo “depois, depois… e então… e depois”, pois apenas servem para tornar opacas as experiências que deseja partilhar. A vida não se nos apresenta como um encadeamento de situações que se resolvem subitamente com alegria e bom humor! Crie conexões, sejam elas emocionais ou temáticas, entre os acontecimentos ou os episódios. Eles devem ecoar nas temporalidades paralelas que, por seu lado, poderão não ser necessariamente cronológicas.

 

 

Seja o protagonista e o antagonista da sua narrativa

 

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O prazer de ler uma boa autobiografia pode aproximar-se do prazer que sentimos na leitura de um romance de qualidade. Contudo, existe uma grande diferença: os leitores sabem que o autor vivenciou os acontecimentos que evoca, sentindo imediatamente empatia com a “personagem” e com o escritor. Mas tal não quer dizer que se deva focar na indução desse sentimento. Pelo contrário, não a procure! Tente não se apresentar, por exemplo, como figura perfeita ou trágica. Os seus leitores serão muito mais sensíveis à sua humildade e honestidade que apenas remetem para o partilhar da sua verdade. Numa autobiografia, a tensão narrativa repousa na luta do escritor entre as suas facetas boas e más, conducentes a actos por vezes nobres e outras vezes totalmente loucos.

 

 

Seja exigente com a sua memória

 

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“Como é que se consegue lembrar disso tudo?”. Esta pergunta recorrente provém, simultaneamente, da admiração e do cepticismo. Afinal, como é possível guardarmos na nossa memória os mais ínfimos detalhes e todas as palavras ouvidas? Por um lado, existem numerosos momentos e múltiplas conversas que são gravadas na nossa memória. O passado acompanha-nos e faz parte do nosso presente, já que as nossas experiências se sucedem. Por outro lado, algumas memórias são menos claras ou também podem ser enviesadas pelos outros. Para evitar estas situações e aproximar-se da verdade, transforme-se num arqueólogo! Faça buscas no passado e examine todos os elementos de uma perspectiva o mais crítica possível. A exactidão absoluta é impossível, mas pode aproximar-se mais e melhor da verdade.

 

Fonte: Publisher’s Weekly

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A tenacidade é uma das principais qualidades de um escritor. Mas, por vezes, é difícil manter-se focado numa única narrativa ou num só projecto. Para fazer face à dispersão, seguem cinco dicas que pode pôr em prática imediatamente:

 

 

Deixe livre curso à sua criatividade

 

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Saltar de uma ideia para outra nem sempre é prejudicial. Na escrita, pode até ser benéfico, já que lhe permite desenvolver a criatividade, levando a cabo experiências sobre o seu texto. Este exercício pode ajudá-lo a encontrar finalmente A grande ideia: aquela descoberta rica em perspectivas que seguirá.

 

 

 

 

Identifique o problema

 

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Uma boa ideia pode rapidamente perder o seu encanto nos meandros da rotina da escrita. Nessas alturas, é importante que se coloque as perguntas certas: tem dificuldades em controlar o final da narrativa (a conclusão da história)? Falta-lhe confiança em si mesmo para escrever uma narrativa completa? Passado o entusiasmo inicial, desinteressa-se rapidamente da sua ideia?

 

 

Organize as suas ideias

 

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Tomar notas sobre as suas reflexões acerca de um projecto futuro é uma prática muito útil. Ao fazê-lo, toma consciência das suas ideias, que pode deixar na gaveta para mais tarde voltar a elas. Por outro lado, tal permite-lhe separar as fontes de informação, o que o ajudará no futuro a não se perder. Pode, portanto, manter-se concentrado no projecto actual, preparando paulatinamente o seguinte.

 

 

Escreva textos fora da sua narrativa

 

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Aprofundar o mundo ou o ambiente que criou fá-lo-á sentir mais envolvido na sua narrativa. Para o efeito, poderá, por exemplo, escrever uma cena situada na infância da sua personagem, ou contar um acontecimento através de uma personagem secundária. Estes textos curtos suplementares não entrarão na narrativa final, mas ajudam a ancorar a história na sua mente.

 

 

Faça uma pausa

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Não hesite em deixar de lado durante algum tempo o seu texto. Como em tudo na vida, o devido recuo é primordial, e a escrita não foge à regra. Este processo permite atingir uma perspectiva simultaneamente distante e crítica. Mas não se perca, e agende uma data para voltar ao trabalho!

 

 

Fonte: The Writer.

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Percy WyndhamLewis/ Portraits Webif

Percy WyndhamLewis/ Portraits Webif

O poeta norte-americano T. S. Elliot foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1948 pelos seus “feitos incríveis enquanto pioneiro da poesia moderna”. Aqui segue a sua visão de uma poesia de qualidade.

 

O melhor da poesia é impessoal. Pouco importam os sentimentos e a biografia do poeta que, por seu lado, deve apenas encontrar a imagem e as palavras exactas para exprimir uma emoção. Desta forma, o leitor é directamente tocado pela emoção e o poeta desaparece atrás da sua obra.

 

Os poemas têm sentido apenas se dialogam com a tradição. “Nenhum poeta, nenhum artista, em qualquer arte que seja, tem o seu sentido completo por si próprio. Compreendê-lo, estimá-lo, é estimar as suas relações com os poetas e os artistas do passado. Não podemos julgá-lo só; é preciso colocá-lo, para opô-lo ou compará-lo, no meio dos mortos”, escreveu o poeta em A tradição e o talento individual.

 

A maturidade é absolutamente necessária para toda a literatura. Esqueçam o desenvolvimento de um estilo pessoal egoísta: os bons poetas devem encontrar um “estilo comum”, símbolo da grande poesia. Os extremos e a pequenez de espírito devem ser banidos.

 

A boa poesia não pode ser produzida com o objectivo político de ultrapassar uma forma existente. É apenas preciso encontrar a sua própria maneira de dizer as coisas.

 

O bom poeta não deve escrever demasiado: isso impede de se concentrar e de limar a sua poesia.

 

O prémio T. S. Elliot recompensa o que de melhor se escreve em Poesia. Em 2014, o prémio foi atribuído ao poeta inglês David Harsent.

 
Fontes: The Telegraph, The Paris Review.

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Quadro de TIM BAUER

 

Markus Zusak é um escritor australiano, autor do bestseller A Rapariga que roubava livros (Ed. Presença). Este escritor é igualmente reconhecido pela sua prosa inovadora e poética.

 

 

Qual é a sua rotina de trabalho?

Eu procrastino muito! Para me defender, procuro ver-me livre de todas as distracções antes de escrever, para me concentrar unicamente no livro. Tenho uma pequena teoria sobre a escrita: para trabalhar três horas é preciso prever três dias. Para escrever durante três dias, deve dar a impressão de dispor de três semanas, etc.

 

 

 

O que é que aprecia mais na escrita?

Gosto da ideia de que cada página pode conter um diamante. A escrita é para mim um jogo com as palavras. O autor é como uma criança que brinca na areia, construindo, arrumando e destruindo o que quer. O melhor momento num dia de escrita consiste no surgimento de uma nova imagem da qual não tínhamos ideia de manhã quando começámos a escrever.

 

Como é que nos tornamos escritores?

A melhor forma de nos tornarmos escritores é escrevendo. Se alguém quer tornar-se um atleta não lhe dizemos para pensar em correr. Dizemos-lhe que corra. Também é preciso colocar-se uma única pergunta: “O teu livro nunca vai ser publicado. Escreve-lo na mesma?”. Se a resposta for sim, escrever o livro vale a pena. No que diz respeito à publicação… é muito difícil. Implica muito trabalho e muita força de vontade para não nos desencorajarmos face às críticas e às recusas. Quando sabemos isso, apreciamos ainda mais fazer parte dos raros eleitos.

 

Qual é o seu conselho para os aspirantes a autor?

Não tenham medo de fracassar. Eu fracasso todos os dias. Acumulei vários fracassos enquanto escrevia A Rapariga que roubava livros e agora esse livro é tudo para mim. As melhores ideias vieram-me quando tinha a impressão de estar a escrever no vento, quando duvidava. O fracasso foi o meu melhor amigo no trabalho. Ele testa-nos para ver se somos capazes de o ultrapassar.

 

Fonte: The Guardian

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O escritor norte-americano Paul Auster iniciou-se nas lides da escrita através da Poesia, mas foi no Romance que se deu a conhecer, sendo considerado o autor do acaso e da errância. Seguem alguns dos segredos que partilhou com o jornalista Michael Wood, para The Paris Review há já mais de 10 anos.

 

 

 

 

TPR: Quais são as suas estratégias de escrita?

P.A.: Quando escrevo sigo uma trajectória. Cada texto começa na primeira frase e acaba na última. Trabalho por sequências, parágrafo a parágrafo. A meu ver, o parágrafo constitui a unidade do romance, tal como representa o verso na poesia. Trabalho no mesmo parágrafo até sentir-me razoavelmente satisfeito com o resultado. Reescrevo-o até obter forma exacta, o equilíbrio exacto, a musicalidade exacta. É preciso que o texto pareça fluido, “não escrito”. Um parágrafo tanto pode demorar uma hora como três dias. Tenho frequentemente a primeira e a última frase da minha narrativa na cabeça, mas as coisas podem mudar à medida que avanço. Nenhum dos meus livros acabou como tinha inicialmente imaginado. Há personagens e situações que desaparecem, outras que surgem. Descobrimos o nosso livro enquanto o escrevemos, é uma aventura. Não seria muito interessante se tudo fosse completamente planeado.

 

TPR: Será que é preciso ser um grande leitor para escrever?

P.A.: Para mim, um autor teve necessariamente de ser um leitor voraz na sua adolescência. Um verdadeiro leitor compreende que os livros contêm um mundo, e que esse é mais rico do que qualquer outro. É esta alegria de viver dentro dos livros que transforma jovens em escritores. Ainda não vivemos o suficiente para ter escrito muita coisa, mas chega uma altura em que percebemos que somos feitos para isso. E cada escritor precisa de um leitor de confiança. Alguém que deseje que o seu livro seja o melhor possível e que seja honesto consigo. Este leitor não mente, não o felicita quando não presta.

 

TPR: Qual é a sua visão do romance?

P.A.: Escrever um romance é para mim um acto de fé. É preciso apresentar as coisas tal como elas são e não como elas deveriam ser. Os romances são ficções e contam-nos mentiras, mesmo se, através deles, o romancista tenta dizer a verdade sobre o mundo. O trabalho da imaginação confere uma liberdade impossível na não-ficção. Mas esta liberdade pode ser assustadora. O que acontecerá de seguida? Como posso saber se a próxima frase não será um muro?

 

TPR: Qual é o principal defeito dos jovens escritores?

P.A.: O egoísmo, a incapacidade de se projectarem nos outros. É primordial ter os olhos abertos ao mundo em vez de olharmos para o nosso próprio umbigo. Os escritores devem estar atentos a tudo o que se passa à sua volta.

 

 

Fonte: The Paris Review – http://www.theparisreview.org/interviews/121/the-art-of-fiction-no-178-paul-auster

 

Créditos da imagem: Quadro “Paul Auster on La Stampa/watercolor on shoellershammers”   Paolo Galetto – http://paologaletto.blogspot.pt/

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elementos da escrita

Todas as histórias requerem um bom enredo. Identificar o tipo de história que prefere escrever é, em si, todo um enredo! De acordo com a escritora norte-americana, Amanda Patterson, existem quatro elementos dominantes nas histórias que escrevemos e lemos: o ar (mistério), a terra (cenário), a água (personalidade) e o fogo (acontecimento). A escolha de um destes elementos reflecte a sua paixão, e é precisamente sobre esse elemento que se deverá concentrar. Tal não implica que exclua totalmente os restantes elementos. Apenas quer dizer que encontrou a sua “voz” e escreve de acordo com as suas forças. Vejamos cada um destes elementos, primeiro passo para identificar qual o elemento que mais se adapta ao seu estilo de escrita.

 

 

Ar – Mistério

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O Ar questiona. Se o seu enredo gira em torno do questionamento – revelar informação, investigar, ir em busca de algo e procurar pistas – o mistério é o seu elemento mais importante. A sua história começa com uma pergunta e acaba com uma resposta. Todos os mistérios seguem o formato da procura, tal como em todas as histórias de aventura.

 

 

Identificou este elemento com a sua forma de escrever? Então, concentre-se em criar um personagem que tenha por missão procurar e encontrar quem está por trás do mistério, qual o seu modus operandi e as suas razões. Conte a história da perspectiva quer do protagonista, quer do antagonista.

 

 

Terra – Cenário

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A terra experiencia. Se o seu enredo gira em torno do mundo que criou, o cenário é o seu elemento mais importante. O seu personagem viaja num novo “mundo”, troca e escolhe ficar nesse “mundo” ou voltar para de onde veio. A sua história começa quando o seu personagem chega ao cenário que criou e acaba quando se vai embora (ou decide ficar). Algumas histórias de Ficção Científica e de Fantasia encaixam-se nesta categoria, assim como concorrem para este tipo de narrativa as viagens históricas e pioneiras.

 

Identificou este elemento com a sua forma de escrever? Então, concentre-se em criar um personagem que explora e descobre a sua criação. Conte a história do ponto de vista do protagonista.

 

 

Água – Personalidade

 

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A água sente. Se o seu enredo gira em torno da sua personagem que se transforma, a personalidade é o seu elemento mais importante. O papel do seu protagonista no enredo que criou vai mudando. A sua história começa com a infelicidade do personagem ou com a sua necessidade de transformação que o conduz à mudança, acabando quando ele aceita um novo papel ou permanece no mesmo. O protagonista pode acabar feliz ou infeliz, de acordo com o final que tiver criado.

 

Identificou este elemento com a sua forma de escrever? Então, concentre-se em adicionar os ingredientes que permitam ao leitor assistir à sua transformação. Conte a história do ponto de vista do personagem, fazendo uso da primeira ou da terceira pessoa do singular. Utilizar outros personagens como criadores de opinião sobre o protagonista ajuda a trazer mistério, textura e perspectiva à sua trama.

 

 

Fogo – Acontecimento

 

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O fogo age. Se o seu enredo gira em torno de algo que aconteceu e que fez com que o mundo se tornasse perigoso, por exemplo, o acontecimento é o seu elemento mais importante. A sua história começa quando se percebe um perigo iminente que se transforma numa batalha. A história acaba quando uma nova ordem é estabelecida, uma antiga é restaurada ou quando a anarquia vence. A trama é a busca dessa ordem. Todas as histórias de Ficção Científica e de Fantasia utilizam este tipo de “acontecimento” como premissa. Nelas o herói tem de encontrar algo ou alguém que possa salvar o mundo. Por vezes, o protagonista é o salvador.

 

Identificou este elemento com a sua forma de escrever? Evite incorrer no erro de utilizar um narrador, pois é a perspectiva do personagem que experiência a história que importa. É o protagonista que conduz o leitor através do que sabe e percebe (acção). O leitor apenas se identifica com a história, se existir identificação com o personagem.

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