city-as-body

 

Comparar uma cidade ao corpo é um grande clássico da literatura. Quantas vezes não lemos a expressão “no coração da cidade”? Pois bem, agora é a sua vez de aplicar esta metáfora ao local que quer descrever. Se a cidade, aldeia ou bairro que pretende descrever fosse o corpo humano, onde se encontraria o coração? E a cabeça?

 

Se quiser, pode até ir mais longe neste exercício, reconstruindo um corpo inteiro como metáfora da sua cidade. Para tal, precisa apenas de encontrar cada um dos seus membros e órgãos. Localize a água sobre todas as suas formas (mar, rio, riacho, canal, fonte, etc.). Identifique onde se encontram os centros dos poderes económico, político, religioso, cultural…

 

Adquira o mapa da cidade em questão ou vá ao Google Earth e a partir de todos os elementos encontrados constitua um corpo humano que utilizará depois para enriquecer as descrições dos locais correspondentes.

Boa escrita e até à próxima dica…

Partilhe este artigo:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

ouvir

 

O processo de escrita envolve todos os nossos sentidos. Utilize vocabulário da vida real para tornar as suas personagens autênticas.

 

Quando está na rua, num restaurante ou nos transportes públicos, mantenha-se discretamente à escuta. Descobrirá que frequentemente a realidade ultrapassa a ficção.

 

 

Boa escrita e até à próxima dica…

Partilhe este artigo:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

dicas5

 

Visite o jardim zoológico, o oceanário ou até uma loja de animais. Pode também ir a um jardim público ou deambular pelas ruas da cidade e observar os cães, as aves e os gatos.

 

 

A partir das características que registou desses animais e das suas interacções, desenvolva personagens humanas.

 

Depois escreva uma história baseada nas personagens que acabou de criar.

 
Boa escrita e até à próxima dica…

Partilhe este artigo:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

Está a escrever um romance cujo protagonista é uma criança? O público-alvo do seu livro são as crianças? Gostaria que o seu texto reflectisse o olhar de uma criança? Nenhum destes objectivos é fácil para o adulto. Diremos até que se trata de um empreendimento difícil para o adulto, detentor de uma maior experiência de vida, reencontrar a frescura e a ingenuidade características da infância. Mas não desespere!

 

colocar-ºse na pele de uma criança

 

Inspirados em Betty Wilson Beamguard (Writer Mag), trazemos-lhe 5 dicas que o poderão ajudar nesta árdua tarefa:

 

Inspire-se directamente na fonte

 

Os pensamentos, os actos e os diálogos devem sempre estar em consonância com a personagem, certo? Mas o que fazer quando desconhecemos o que pensa uma criança? Passe à prática: adopte uma atitude empírica. Se não tem filhos, nem sobrinhos, passe o fim-de-semana com amigos que tenham crianças da idade da sua personagem. Leia livros infantis destinados a esta faixa etária e explore as prateleiras dedicadas à literatura técnica sobre a infância (os livros de psicologia podem ajudar bastante). Se conhecer educadores de infância, não hesite em falar com eles, pois poderão esclarecê-lo sobre os comportamentos das crianças.

 

 

Viaje até à sua própria infância

 

Talvez já se tenha esquecido, mas as crianças são impressionáveis, mais do que os adultos. Alguns acontecimentos positivos ou negativos, insignificantes para o adulto, podem assumir proporções enormes para a criança e marcá-la para sempre. Cabe-lhe, a si, encontrar exemplos de acontecimentos que poderiam assumir uma grande importância aos olhos da sua personagem. Para tal, procure nas gavetas da sua própria memória, certamente encontrará alguns episódios que valerão a pena ser contados.

 

 

Estimule a sua imaginação

 

Se existe algo que não suscita dúvida é que as crianças têm uma imaginação transbordante! Associado a esta característica está o facto de, maioritariamente, tomarem as expressões literalmente. Imagine o efeito que poderá ter na sua personagem ouvir determinadas expressões como: “estar com o coração nas mãos”, “engolir um sapo”, “o gato comeu-te a língua?”, “estar com a pulga atrás da orelha”, etc.

 

 

Fale como uma criança

 

Lamentamos informá-lo de que não basta atribuir pensamentos de criança à sua personagem para que ela seja credível. É indispensável que ela se exprima como uma verdadeira criança.  A escolha das palavras a utilizar nos diálogos é por isso determinante. Para estar seguro do vocabulário que usa ou da construção frásica que emprega, nada como ir recolher informação à fonte: às crianças. Sem assustar os pais, passe algum tempo nos parques infantis ou à saída das escolas para ouvir as palavras e a forma de expressão das crianças. E, sobretudo, tenha cuidado em não confundir as idades! Há todo um mundo que separa a forma como uma criança de 6 anos comunica e a linguagem de uma criança de 9 anos, por exemplo!

 

 

Lembre-se de que as crianças não são perfeitas

 

Enquanto adultos atribuímos frequentemente qualidades de perfeição à infância: são tão pequenas, tão indefesas, tão inocentes, que só podem ser perfeitas… Mas, na realidade, as crianças mentem, nem sempre tomam o partido dos mais fracos, e são capazes de maltratar outras crianças e animais, sobretudo se lhes tiverem feito algum mal. Tenha isso sempre em conta para as suas personagens.

Partilhe este artigo:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone



dica8

 

Sente-se na esplanada de um café, vá a um jardim público, ao aeroporto, à estação de comboios ou a um centro comercial e observe quem passa.

 

Inspire-se na aparência de quem lhe chamou a atenção e invente uma história: imagine qual será a sua profissão, os seus hábitos, o seu quotidiano, os seus passatempos, etc.

 

Boa escrita e até à próxima dica…

Partilhe este artigo:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone


dica da semana Monóculo

 

Abra um dicionário, um livro ou outra publicação na página que calhar e identifique ao acaso algumas palavras – nada de batota, feche os olhos e aponte para a palavra.

 

“Seleccionadas” as palavras, crie uma situação ou intriga em torno da combinação que encontrou.

 

 

Boa escrita e até à próxima dica…

 

Partilhe este artigo:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

Quem se inicia nas lides da edição independente depressa se apercebe de um conjunto de ideias veiculadas que podem constituir uma verdadeira barreira à criação literária e à partilha de conhecimentos e vivências.

 

Afirmar que escrever um livro implica energia e perseverança é a mais pura das verdades, mas alguns autores em devir deixam-se arrastar depressa demais por pensamentos parasitas, dando demasiado crédito a certos “mitos” sobre os escritores, a escrita e o mundo da edição.

 

Quantos não desistem antes de, sequer, tentar realmente? Quantos não protelam o sonho que sempre acalentaram, resistindo a dar o salto e alcançar o seu objectivo e desejo?

 

Não ceda às ideias preconcebidas sobre a edição! Vejamos alguns destes “mitos” ou “desculpas” que fazem com que demasiados projectos interessantes fiquem na gaveta.

 

open_book_monoculo

 

São muitos os ursos e pouco o mel!

 

É verdade que se decidiu escrever um romance juvenil sobre vampiros está em competição directa com outros escritores. Porém, se entrar nesta linha de raciocínio, rapidamente se aperceberá que na Literatura os temas são recorrentes, independentemente das modas e das tendências de mercado. Sempre se escreveu sobre amor, ódio, paz, guerra, amizade, desejo, vidas, o ser humano, etc. Na realidade, a única pessoa com quem está a competir é consigo mesmo. Pergunte-se todos os dias como é que pode melhorar e ser hoje melhor escritor do que foi ontem.

 

 

É impossível escrever um livro sem computador.

 

Desde quando?! Tudo o que precisa para escrever um livro é de uma esferográfica e de folhas de papel. Sabia que existem muitas correntes que defendem os benefícios de escrever à mão? Nas palavras do escritor norte-americano Norman Mailer, duas vezes premiado com o Prémio Pulitzer, o autor “sente que todo o seu corpo e um pouco do seu espírito desceram para as pontas dos seus dedos”, como se houvesse algo de físico na conexão entre a caneta e o papel que se distingue da relação com o teclado do computador. É verdade que, nesta era tecnológica, precisará mais tarde de passar o seu manuscrito para formato digital, mas isso não quer dizer que necessite de tecnologia para escrever!

 

 

A escrita deve estar perfeita logo à primeira.

 

Se ao reler o que escreveu pensar: “Isto não vale nada!”, não se assuste. Nada de mais normal. O primeiro esboço é muitas vezes sinónimo de confusão, mas é necessário. Tal como acontece com tantas outras competências, escrever implica tempo e prática. Ora, é frequente que os autores em devir não dêem tempo ao tempo, esperando que as primeiras linhas ou páginas do manuscrito se assemelhem logo ao resultado final: a um livro. Com esta atitude, apenas conseguem um resultado: o insucesso. Como aconselhava Virginia Woolf nas suas Cartas a jovens poetas, “ninguém é obrigado a partilhar o primeiro (o segundo ou o terceiro) esforço que realizou”.

 

 

É obrigatório ter um espaço só seu para escrever.

 

Já que referimos Virginia Woolf, é verdade que defendia que uma mulher precisava de um espaço seu para escrever, mas também afirmou serem necessários 500 livros por ano para o fazer! Estas eram as condições ideais, segundo a autora de Mrs. Dalloway, para escrever. Mas o local que cada escritor elege para dar largas à sua arte depende de cada um. Há aqueles que preferem o recato e o silêncio, outros que optam por espaços públicos. Existem tantos sítios onde se pode escrever como autores. Tudo depende de si, da sua personalidade e do que precisa para se sentir confortável a escrever.

 

 

É condição estar inserido numa rede.

 

É claro que as redes assumem actualmente uma grande importância, mas fazer parte de uma rede não é sinónimo de escrever. Deixe, por ora, o marketing e as redes e concentre-se na sua escrita: de que valem, se ainda não tem nada para partilhar? Será uma vantagem conhecer o mercado do livro, como é óbvio. Contudo, o primeiro passo de todos é escrever!

 

Para conhecer o maravilhoso mundo da edição livre clique aqui.

 

 

Para que um manuscrito seja publicado é preciso ter cunha!

 

Esta é uma ideia muito veiculada que deixa de fazer qualquer sentido quando se opta por uma publicação independente. É certo que uma boa rede de contactos ajuda na divulgação de uma obra, mas isso não significa que tenha de conhecer pessoas do meio editorial para publicar o seu manuscrito, nem que a dita Edição Tradicional seja o único meio para o fazer. Actualmente tem à sua disposição inúmeras plataformas e profissionais da Edição que o podem ajudar a alcançar o seu objectivo. Mas, à semelhança das redes, este não é o primeiro passo para arregaçar as mangas e começar a escrever.

 

Para se tranquilizar, veja a quantidade de serviços profissionais que o podem ajudar a realizar o seu projecto de publicação, clicando aqui.

 

 

Apenas os livros de grande público se vendem.

 

Os best-sellers são, sem dúvida, uma parte essencial do mundo editorial das últimas cinco décadas. Contudo, pensar que este sector se resume aos mesmos é redutor e não corresponde à realidade. Para além das ditas edições de fundo de catálogo das editoras, a edição independente em ascensão clara vem mostrar o quanto projectos de menor dimensão podem atingir o sucesso. Nem todos os livros são feitos para atingirem milhares de vendas, mas isso não implica que não sejam de qualidade e que não exista um público específico e leal. Se fosse esse o caso, apenas livros bombásticos teriam sucesso, o que não é, nem de perto, nem de longe, verdade. Se tem algo a partilhar e sente necessidade de o fazer, faça-o. Deixe os grandes números para os grandes grupos, os grandes livros sempre existiram e continuarão a existir!

 

Fontes: Bertrand Legendre (2009), Envie d’écrire (2011).


 

 

Partilhe este artigo:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone