Este Natal, a Monóculo promoveu um desafio para que poetas anónimos pudessem partilhar a sua veia poética. Na sua página do Facebook, os participantes publicaram até ontem os seus poemas alusivos à quadra festiva. A pessoa que mais gostos recebeu, foi a grande vencedora do desafio.

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E a vencedora foi Sara Cabral Silva com um poema da sua autoria, intitulado “Simbolismo do Natal”:

 

“Paira no ar um aroma
e reina a expetativa
é o Natal a chegar
uma época bem festiva!

 
É tempo de reboliço,
do amor à porta bater.
− Entre mestre, por favor,
sente-se e ore por nós a valer.

 
Oh Natal, que simbolismo carregas!
Leva o teu espírito aos cantinhos
enche as mãos cheias de nada
e aquece os corações de miminhos!

 
Natal, vem transformar o mundo
seca as lágrimas, acende as velas
desta gente que se convenceu
que o mundo se esqueceu delas…

 
Em boa verdade pergunto:
haverá algo melhor do que pegar na magia do Natal e trazê-la consigo no bolso, polvilhando-a à toa, por algures, por nenhures, com um sorriso tatuado no rosto e na alma?”

 

 

Parabéns à vencedora e a todos aqueles que participaram neste desafio!

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Apesar das inúmeras correntes literárias, existe algum consenso quanto à ideia de que um romance deve ser estruturado. Contudo, é por vezes difícil dividi-lo em capítulos. Como saber quando deve começar e onde deve terminar um capítulo?

 

Monóculo_ capítulo

 

Na Monóculo, ao realizarmos pareceres de leitura ou ao tratarmos editorialmente um romance, deparamo-nos frequentemente com a dificuldade dos autores em separar por capítulos a sua obra. Os capítulos não começam nem acabam na altura mais acertada, o que em última instância prejudica a trama.

 

Seguem algumas dicas para o ajudar a não negligenciar estes “cortes”, tão úteis à sua obra:

 

Distancie-se da estrutura para identificar finais de capítulo

Se, ao escrever, sentir dificuldade em dividir o seu texto em capítulos, nada melhor do que tentar distanciar-se um pouco. Quando começar um romance, estruture o seu texto em função da trama e dos acontecimentos. Comece então a escrever e quando chegar a um momento que, na sua opinião, daria um bom final de capítulo, assinale-o. No final, reveja os momentos assinalados e escolha os que melhor correspondem a um final de capítulo.

 

Uma mudança = um capítulo

Na grande maioria dos romances, um novo capítulo implica a existência de uma alteração. É pois importante estabelecer “cortes” na obra quando se dá alguma mudança de lugar, de época ou de ponto de vista. Estas divisões também podem ocorrer aquando de uma mudança radical na própria trama, o que permite guiar o leitor em direcção a uma nova orientação da história.

 

Criar suspense graças aos capítulos

Os capítulos podem servir para reforçar o suspense. Para tal, pergunte a si próprio: como fazer para que o leitor que decidiu parar de ler no final deste capítulo não consiga pousar o livro de tanto querer saber o que se vai passar seguidamente? Os finais de capítulo em suspense são muito eficazes, é certo, mas não deverá abusar deles, pois se assim for o leitor acabará por prevê-los e o efeito desejado desaparecerá. Por outro lado, para que esta estratégia funcione, é necessário que o suspense seja uma dimensão real da história. Se tal não for o caso, o leitor rapidamente se aperceberá de que está a ser manipulado e o resultado não será, certamente, o desejado. Para além de uma cena de acção, o suspense pode ser conseguido com a revelação de algo num diálogo.

 

Artigo baseado nas dicas de Aaron Elkins em The Writer’s Digest.

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Procure na Wikipédia ou em qualquer enciclopédia de referência que tenha na sua estante personagens históricos.

 

Escreva um episódio de ficção sobre a sua vida — um encontro fortuito com outro personagem célebre, por exemplo — ou atribua-lhe um segredo e escreva sobre o assunto.

 

 

Boa escrita e até à próxima dica…

 

Ilustração: D. Afonso Henriques na conquista de Lisboa aos Mouros (1147) — Fonte: Calendário de parede antigo.

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Cada início de capítulo do seu romance deverá chamar a atenção do leitor para criar nele a vontade de continuar a ler.

 

Antes de dar início a um novo capítulo, pergunte a si próprio:

 

– Onde estão as minhas personagens? Onde é que as deixei e o que estão a fazer agora?
– Qual é a informação mais importante que vou revelar neste capítulo?

 

Se tem por hábito estabelecer um plano quando escreve um romance, as respostas a estas perguntas ajudá-lo-ão a determinar o conteúdo de cada capítulo.

Espelhos

Como iniciar, então, os capítulos do seu romance?

 

São diversas as formas de começar um capítulo. Apresentamos-lhe aqui as três mais comuns:

 

Basear-se na acção

 

Num capítulo, quanto mais lançada estivar a acção, mais o leitor se verá envolvido na trama. Mas, atenção, não perca tempo a explicar detalhadamente a acção, pois o que interessa é mostrá-la. Lembre-se de que os elementos chave de uma cena de acção são o tempo e o movimento.Para impulsionar o movimento, o melhor será entrar directamente na acção sem explicações prévias sobre as motivações das personagens. Tal estratégia capta imediatamente a atenção, e consequente interesse, do leitor.

 

Como ser bem-sucedido neste tipo de início de capítulo?

– Vá directo ao assunto.

– Para cativar o leitor, não hesite em surpreendê-lo.

– Assegure-se de que a acção corresponde efectivamente à personalidade da personagem que a leva a cabo.

– Primeiro escreva a acção, depois a reflexão. Explique as motivações da personagem para ter agido de tal maneira depois da acção.

 

Basear-se na narrativa

 

Muitos são os autores que começam os capítulos dos seus romances por um resumo narrativo que detalha o histórico, quer do lugar, quer da personagem. Apesar de ser uma boa estratégia, há que usá-la com parcimónia. O resumo narrativo está para o livro como a voz off está para o filme: uma distracção e uma interrupção.  Enquanto autor, o seu objectivo principal num início de capítulo é o de manter a atenção do leitor.

 

Como ser bem-sucedido neste tipo de início de capítulo?

– Antes de lançar a acção, ofereça ao leitor a quantidade suficiente de elementos.
– Revele o pensamento ou as intenções da personagem que não podem ser mostrados pela acção.

 

Basear-se no cenário

 

No seu romance, os cenários têm uma incidência importante nas personagens e na história? Porque não optar por descrevê-los no início do capítulo? Esta metodologia é muitas vezes empregue em romances cuja trama se desenrola num contexto atípico ou desconhecido.

 

– Chame a atenção do leitor com detalhes visuais específicos.
– Utilize a descrição dos cenários para dar o tom da cena.
– Descreva os cenários para dar informações sobre o estado de espírito da personagem.

 

 

Artigo baseado em: Jordan E. Rosenfeld (2011), 10 ways to launch strong scenes.

 

 

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A sua decisão já está tomada! Vai mesmo contar a história
da sua vida e escrever a sua própria biografia. As razões que conduziram à iniciativa já não importam. O que importa de agora em diante, isso sim, é ter consciência de que para realizar a sua autobiografia precisa de produzir uma narrativa. Ora, esta última deverá no mínimo ser coerente, compreensível, legível e a mais completa possível. Para esse efeito existem duas regras de ouro que não deve ignorar!

 

1.ª Regra de Ouro: Respeitar a progressão cronológica

 

Enquanto estilo literário, a biografia é uma narrativa cronológica. Por outras palavras,
a sua história é contextualizada no tempo e depende dele. O seu ponto de partida é,
por essa razão, o passado, e a sua meta o presente. Respeitar este carácter progressivo
é fundamental. Os factos deverão sempre ser explorados de acordo com a ordem dos acontecimentos. A sua autobiografia deve começar com as suas memórias mais antigas
e acabar com as mais recentes.

 

2.ª Regra de Ouro: Estruturar a narrativa

 

Independentemente dos destinatários e mesmo se a sua biografia se destina a presentear
a família ou os amigos mais próximos, ela deve apresentar e conter um mínimo de organização. Realizar uma biografia não significa, de todo, contentar-se em somar memórias, factos, datas e eventos. Tal resultaria num rol sem fim de palavras e frases tratadas ao mesmo nível, fazendo com que os dados mais importantes e os dados mais insignificantes se fundissem numa mesma massa indissociável. A sua biografia não teria então qualquer relevo, revelando-se algo de extraordinariamente enfadonho para o leitor
que certamente nem chegaria a um quarto da narrativa, colocando a obra da sua vida numa prateleira do esquecimento. Não se esqueça, portanto, de respeitar o leitor, fazendo com que a sua narrativa assuma pelo menos na forma um percurso agradável. Para o efeito é necessário gerir as eventuais pausas que o leitor possa fazer, permitindo que interrompa
a leitura a qualquer altura e que lhe seja fácil voltar ao ponto em que parou ou que encontre facilmente uma data, uma memória ou um evento específico sem ser obrigado a retomar o conjunto página a página.

Com excepção de alguns estilos como confissões ou cartas, toda e qualquer narrativa (independentemente da sua natureza: ensaio, romance, etc.) é repartida em dois ou mais capítulos referentes a um tema específico. A autobiografia não escapa a esta regra, devendo também ser dividida em “blocos” equivalentes a um determinado período da vida. Mais uma vez, a biografia deve ser considerada como uma narrativa e estruturada como tal. Não irá contar a sua vida hora a hora, nem ano a ano, mas sim por etapas de vida (períodos ou conjunto de anos: infância, adolescência, etc.). Trata-se, portanto, de organizar os conteúdos por etapas de vida, ou seja, estabelecer o plano da obra que, por seu lado, poderá ser arbitrário ou personalizado.

 

Se precisar de ajuda para escrever a sua biografia ou estruturá-la, contacte-nos directamente.

 

Se deseja publicar a sua história de vida, mas não é sua intenção escrevê-la, veja como a Monóculo pode ajudar a realizar o seu sonho, clicando aqui.

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