Melhore a sua ortografia e a sua gramática

dica com estilo

 

Não é obrigatório que estude gramática nem ortografia durante horas e horas, todos os dias!O que lhe propomos é bem mais simples e não lhe roubará muito tempo.Releia uma regra por semana e procure aplicá-la nos seus escritos. Apesar de existirem correctores ortográficos muito bons, conhecer as regras gramaticais e ortográficas faz parte das competências que um escritor deve desenvolver para melhorar o seu estilo.

 

 

Vá à caça das repetições

DivineInspiration

 

Não há nada de mais entediante do que ler um romance e tropeçar constantemente em repetições. Quando escrever ou quando estiver a corrigir o seu texto, identifique as repetições. Seja em meia dúzia de linhas ou numa página inteira, tudo vai depender do seu grau de exigência! O que fazer quando as identificar? Substitua-as por perífrases ou sinónimos.

 

 

 

Evite as generalidades

facebook-monoculo-dia21

 

Adquira o hábito de dizer as coisas de forma exacta. Uma óptima maneira de começar é a de procurar substituir os verbos ser, ter e fazer, por termos que correspondam ao que deseja exprimir. Aplique a mesma receita quando pretender descrever uma cena, uma personagem ou um ambiente. Dizer “gosto do sabor deste prato” não ajuda o leitor a apreender as sensações gustativas do narrador ou da personagem que fala.

 

 

Escreva frases curtas

facebook-monoculo-dia28

 

Enuncie as suas ideias de forma clara através de frases curtas. É claro que ao fazê-lo não deverá esquecer o ritmo geral do seu texto. Uma sucessão de frases com apenas três palavras cada, não é forçosamente agradável. Mas uma frase demasiado longa com um número importante de proposições é mais difícil de escrever e pode ser mal compreendida pelos seus leitores. Por isso, quando escrever não se esqueça de segmentar as suas ideias em frases mais curtas!

 

 

Cuidado com as palavras pequenas

semana03-072

 

 

Evite o uso desproporcionado de conjunções (coordenativas, subordinativas), assim como de pronomes demonstrativos (este, esse, aquele) e relativos (que, qual, cujo, etc.) que sobrecarregam as frases. Em simultâneo, procure utilizar apenas uma pequena quantidade de preposições.

Um conselho suplementar: Não se esqueça do famoso ditado de que ninguém nasce ensinado. A escrita aprende-se! Seja paciente e perseverante… Não há razão para não encontrar o seu próprio estilo!

 

 

Trabalhe a sua pontuação

semana10-152

 

Quando escrever, preste atenção à pontuação, pois representa a respiração da sua frase. Um erro de pontuação pode mudar completamente o sentido de uma frase. Para testar a sua pontuação, não hesite em reler os seus textos em voz alta. Abrande o ritmo e marque pausas ao nível dos sinais de pontuação. Não se esqueça de dar o tom que deseja comunicar à sua leitura.

 

 

Leia

semana17-21-2

 

Para trabalhar o seu estilo, crie tempo para ler. Escolha prioritariamente obras do mesmo género literário daquele que está a trabalhar, sem negligenciar géneros que lhe são menos familiares. Seja literatura clássica, sejam autores de sucesso contemporâneos, leia!

 

 

 

 

 

Enriqueça o seu vocabulário

semana24-282

 

 

Tal como para a gramática e para a ortografia, e no que diz respeito ao vocabulário, não se limite ao que já adquiriu. Tenha um caderno sempre consigo, no qual possa escrever palavras que encontra ao longo das suas leituras ou no dia-a-dia. Escolha palavras que lhe sejam desconhecidas, que usa pouco ou aquelas de que gosta. Quando escrever, procure inspiração no seu caderno! Os jogos de escrita são igualmente um bom meio para enriquecer o seu vocabulário, uma vez que os obstáculos obrigam, frequentemente, a procurar sinónimos.

 

 

 

(re)Descubra as figuras de estilo

dica-com-estilo

 

Alegorias, aliterações, onomatopeias, anáforas, eufemismos, disfemismos, hipérboles, metáforas, elipses, animismos, perífrases… são noções empoeiradas para si? Então, não hesite em procurar as suas definições para melhor compreender o seu significado. Aperceber-se-á do quanto estas figuras de estilo, entre outras, poderão transformar-se em poderosas aliadas para dar profundidade aos seus escritos!

 

 

 

Procure pareceres exteriores

dica-com-estilo-09-09

 

Afaste o medo e não perca a oportunidade de submeter os seus textos a leitores. Se deseja progredir rapidamente, escute os conselhos que lhe dão. Confie nas suas capacidades, mas não se deixe levar pelo orgulho!

Partilhe este artigo:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

Percy WyndhamLewis/ Portraits Webif

Percy WyndhamLewis/ Portraits Webif

O poeta norte-americano T. S. Elliot foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1948 pelos seus “feitos incríveis enquanto pioneiro da poesia moderna”. Aqui segue a sua visão de uma poesia de qualidade.

 

O melhor da poesia é impessoal. Pouco importam os sentimentos e a biografia do poeta que, por seu lado, deve apenas encontrar a imagem e as palavras exactas para exprimir uma emoção. Desta forma, o leitor é directamente tocado pela emoção e o poeta desaparece atrás da sua obra.

 

Os poemas têm sentido apenas se dialogam com a tradição. “Nenhum poeta, nenhum artista, em qualquer arte que seja, tem o seu sentido completo por si próprio. Compreendê-lo, estimá-lo, é estimar as suas relações com os poetas e os artistas do passado. Não podemos julgá-lo só; é preciso colocá-lo, para opô-lo ou compará-lo, no meio dos mortos”, escreveu o poeta em A tradição e o talento individual.

 

A maturidade é absolutamente necessária para toda a literatura. Esqueçam o desenvolvimento de um estilo pessoal egoísta: os bons poetas devem encontrar um “estilo comum”, símbolo da grande poesia. Os extremos e a pequenez de espírito devem ser banidos.

 

A boa poesia não pode ser produzida com o objectivo político de ultrapassar uma forma existente. É apenas preciso encontrar a sua própria maneira de dizer as coisas.

 

O bom poeta não deve escrever demasiado: isso impede de se concentrar e de limar a sua poesia.

 

O prémio T. S. Elliot recompensa o que de melhor se escreve em Poesia. Em 2014, o prémio foi atribuído ao poeta inglês David Harsent.

 
Fontes: The Telegraph, The Paris Review.

Partilhe este artigo:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

1_1_1_SW-Zusak-lead-20131206184703498304-300x0

Quadro de TIM BAUER

 

Markus Zusak é um escritor australiano, autor do bestseller A Rapariga que roubava livros (Ed. Presença). Este escritor é igualmente reconhecido pela sua prosa inovadora e poética.

 

 

Qual é a sua rotina de trabalho?

Eu procrastino muito! Para me defender, procuro ver-me livre de todas as distracções antes de escrever, para me concentrar unicamente no livro. Tenho uma pequena teoria sobre a escrita: para trabalhar três horas é preciso prever três dias. Para escrever durante três dias, deve dar a impressão de dispor de três semanas, etc.

 

 

 

O que é que aprecia mais na escrita?

Gosto da ideia de que cada página pode conter um diamante. A escrita é para mim um jogo com as palavras. O autor é como uma criança que brinca na areia, construindo, arrumando e destruindo o que quer. O melhor momento num dia de escrita consiste no surgimento de uma nova imagem da qual não tínhamos ideia de manhã quando começámos a escrever.

 

Como é que nos tornamos escritores?

A melhor forma de nos tornarmos escritores é escrevendo. Se alguém quer tornar-se um atleta não lhe dizemos para pensar em correr. Dizemos-lhe que corra. Também é preciso colocar-se uma única pergunta: “O teu livro nunca vai ser publicado. Escreve-lo na mesma?”. Se a resposta for sim, escrever o livro vale a pena. No que diz respeito à publicação… é muito difícil. Implica muito trabalho e muita força de vontade para não nos desencorajarmos face às críticas e às recusas. Quando sabemos isso, apreciamos ainda mais fazer parte dos raros eleitos.

 

Qual é o seu conselho para os aspirantes a autor?

Não tenham medo de fracassar. Eu fracasso todos os dias. Acumulei vários fracassos enquanto escrevia A Rapariga que roubava livros e agora esse livro é tudo para mim. As melhores ideias vieram-me quando tinha a impressão de estar a escrever no vento, quando duvidava. O fracasso foi o meu melhor amigo no trabalho. Ele testa-nos para ver se somos capazes de o ultrapassar.

 

Fonte: The Guardian

Partilhe este artigo:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

paul+auster+color+04+bassa

 

 

 

 

O escritor norte-americano Paul Auster iniciou-se nas lides da escrita através da Poesia, mas foi no Romance que se deu a conhecer, sendo considerado o autor do acaso e da errância. Seguem alguns dos segredos que partilhou com o jornalista Michael Wood, para The Paris Review há já mais de 10 anos.

 

 

 

 

TPR: Quais são as suas estratégias de escrita?

P.A.: Quando escrevo sigo uma trajectória. Cada texto começa na primeira frase e acaba na última. Trabalho por sequências, parágrafo a parágrafo. A meu ver, o parágrafo constitui a unidade do romance, tal como representa o verso na poesia. Trabalho no mesmo parágrafo até sentir-me razoavelmente satisfeito com o resultado. Reescrevo-o até obter forma exacta, o equilíbrio exacto, a musicalidade exacta. É preciso que o texto pareça fluido, “não escrito”. Um parágrafo tanto pode demorar uma hora como três dias. Tenho frequentemente a primeira e a última frase da minha narrativa na cabeça, mas as coisas podem mudar à medida que avanço. Nenhum dos meus livros acabou como tinha inicialmente imaginado. Há personagens e situações que desaparecem, outras que surgem. Descobrimos o nosso livro enquanto o escrevemos, é uma aventura. Não seria muito interessante se tudo fosse completamente planeado.

 

TPR: Será que é preciso ser um grande leitor para escrever?

P.A.: Para mim, um autor teve necessariamente de ser um leitor voraz na sua adolescência. Um verdadeiro leitor compreende que os livros contêm um mundo, e que esse é mais rico do que qualquer outro. É esta alegria de viver dentro dos livros que transforma jovens em escritores. Ainda não vivemos o suficiente para ter escrito muita coisa, mas chega uma altura em que percebemos que somos feitos para isso. E cada escritor precisa de um leitor de confiança. Alguém que deseje que o seu livro seja o melhor possível e que seja honesto consigo. Este leitor não mente, não o felicita quando não presta.

 

TPR: Qual é a sua visão do romance?

P.A.: Escrever um romance é para mim um acto de fé. É preciso apresentar as coisas tal como elas são e não como elas deveriam ser. Os romances são ficções e contam-nos mentiras, mesmo se, através deles, o romancista tenta dizer a verdade sobre o mundo. O trabalho da imaginação confere uma liberdade impossível na não-ficção. Mas esta liberdade pode ser assustadora. O que acontecerá de seguida? Como posso saber se a próxima frase não será um muro?

 

TPR: Qual é o principal defeito dos jovens escritores?

P.A.: O egoísmo, a incapacidade de se projectarem nos outros. É primordial ter os olhos abertos ao mundo em vez de olharmos para o nosso próprio umbigo. Os escritores devem estar atentos a tudo o que se passa à sua volta.

 

 

Fonte: The Paris Review – http://www.theparisreview.org/interviews/121/the-art-of-fiction-no-178-paul-auster

 

Créditos da imagem: Quadro “Paul Auster on La Stampa/watercolor on shoellershammers”   Paolo Galetto – http://paologaletto.blogspot.pt/

Partilhe este artigo:Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone