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Quadro de TIM BAUER

 

Markus Zusak é um escritor australiano, autor do bestseller A Rapariga que roubava livros (Ed. Presença). Este escritor é igualmente reconhecido pela sua prosa inovadora e poética.

 

 

Qual é a sua rotina de trabalho?

Eu procrastino muito! Para me defender, procuro ver-me livre de todas as distracções antes de escrever, para me concentrar unicamente no livro. Tenho uma pequena teoria sobre a escrita: para trabalhar três horas é preciso prever três dias. Para escrever durante três dias, deve dar a impressão de dispor de três semanas, etc.

 

 

 

O que é que aprecia mais na escrita?

Gosto da ideia de que cada página pode conter um diamante. A escrita é para mim um jogo com as palavras. O autor é como uma criança que brinca na areia, construindo, arrumando e destruindo o que quer. O melhor momento num dia de escrita consiste no surgimento de uma nova imagem da qual não tínhamos ideia de manhã quando começámos a escrever.

 

Como é que nos tornamos escritores?

A melhor forma de nos tornarmos escritores é escrevendo. Se alguém quer tornar-se um atleta não lhe dizemos para pensar em correr. Dizemos-lhe que corra. Também é preciso colocar-se uma única pergunta: “O teu livro nunca vai ser publicado. Escreve-lo na mesma?”. Se a resposta for sim, escrever o livro vale a pena. No que diz respeito à publicação… é muito difícil. Implica muito trabalho e muita força de vontade para não nos desencorajarmos face às críticas e às recusas. Quando sabemos isso, apreciamos ainda mais fazer parte dos raros eleitos.

 

Qual é o seu conselho para os aspirantes a autor?

Não tenham medo de fracassar. Eu fracasso todos os dias. Acumulei vários fracassos enquanto escrevia A Rapariga que roubava livros e agora esse livro é tudo para mim. As melhores ideias vieram-me quando tinha a impressão de estar a escrever no vento, quando duvidava. O fracasso foi o meu melhor amigo no trabalho. Ele testa-nos para ver se somos capazes de o ultrapassar.

 

Fonte: The Guardian

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O escritor norte-americano Paul Auster iniciou-se nas lides da escrita através da Poesia, mas foi no Romance que se deu a conhecer, sendo considerado o autor do acaso e da errância. Seguem alguns dos segredos que partilhou com o jornalista Michael Wood, para The Paris Review há já mais de 10 anos.

 

 

 

 

TPR: Quais são as suas estratégias de escrita?

P.A.: Quando escrevo sigo uma trajectória. Cada texto começa na primeira frase e acaba na última. Trabalho por sequências, parágrafo a parágrafo. A meu ver, o parágrafo constitui a unidade do romance, tal como representa o verso na poesia. Trabalho no mesmo parágrafo até sentir-me razoavelmente satisfeito com o resultado. Reescrevo-o até obter forma exacta, o equilíbrio exacto, a musicalidade exacta. É preciso que o texto pareça fluido, “não escrito”. Um parágrafo tanto pode demorar uma hora como três dias. Tenho frequentemente a primeira e a última frase da minha narrativa na cabeça, mas as coisas podem mudar à medida que avanço. Nenhum dos meus livros acabou como tinha inicialmente imaginado. Há personagens e situações que desaparecem, outras que surgem. Descobrimos o nosso livro enquanto o escrevemos, é uma aventura. Não seria muito interessante se tudo fosse completamente planeado.

 

TPR: Será que é preciso ser um grande leitor para escrever?

P.A.: Para mim, um autor teve necessariamente de ser um leitor voraz na sua adolescência. Um verdadeiro leitor compreende que os livros contêm um mundo, e que esse é mais rico do que qualquer outro. É esta alegria de viver dentro dos livros que transforma jovens em escritores. Ainda não vivemos o suficiente para ter escrito muita coisa, mas chega uma altura em que percebemos que somos feitos para isso. E cada escritor precisa de um leitor de confiança. Alguém que deseje que o seu livro seja o melhor possível e que seja honesto consigo. Este leitor não mente, não o felicita quando não presta.

 

TPR: Qual é a sua visão do romance?

P.A.: Escrever um romance é para mim um acto de fé. É preciso apresentar as coisas tal como elas são e não como elas deveriam ser. Os romances são ficções e contam-nos mentiras, mesmo se, através deles, o romancista tenta dizer a verdade sobre o mundo. O trabalho da imaginação confere uma liberdade impossível na não-ficção. Mas esta liberdade pode ser assustadora. O que acontecerá de seguida? Como posso saber se a próxima frase não será um muro?

 

TPR: Qual é o principal defeito dos jovens escritores?

P.A.: O egoísmo, a incapacidade de se projectarem nos outros. É primordial ter os olhos abertos ao mundo em vez de olharmos para o nosso próprio umbigo. Os escritores devem estar atentos a tudo o que se passa à sua volta.

 

 

Fonte: The Paris Review – http://www.theparisreview.org/interviews/121/the-art-of-fiction-no-178-paul-auster

 

Créditos da imagem: Quadro “Paul Auster on La Stampa/watercolor on shoellershammers”   Paolo Galetto – http://paologaletto.blogspot.pt/

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Tal como o romance, a personagem de romance também evoluiu ao longo dos séculos. Desde o típico herói portador de valores universais, a personagem de romance individualizou-se progressivamente, transformando-se num ser de ficção decalcado sobre um ser humano para produzir um efeito real.

As personagens de um romance

A personagem de romance é portanto uma “cópia”. A sua identidade, as suas características físicas e psicológicas fazem com que se assemelhe a um indivíduo verdadeiro. Contudo esta verosimilhança não implica que a personagem seja real, pelo contrário, constitui uma criação do autor.

 

É frequente que o narrador nos apresente uma personagem significativa recorrendo ao retrato através de um discurso descritivo. Dados como a sua idade, o seu meio social, o seu nome ou a sua família são essenciais quando se trata de uma personagem significativa.

 

Através do retrato, o narrador apresenta a personagem e inclui (ou não) algumas premissas para a acção. A personagem de romance não é obrigatoriamente heróica, mas graças ao seu retrato o leitor conhece detalhes importantes  nos planos físico, social e moral que o ajudarão a segui-la no enredo. Para além do retrato inicial, o leitor acompanha a personagem aprendendo a conhecê-la através dos seus actos, transformações e encontros.

 

A personagem pode evoluir ou permanecer a mesma, mas seja ela principal ou secundária, terá sempre uma função a desempenhar quer no cenário da acção, quer no âmbito da narrativa. Por exemplo, uma determinada personagem pode desempenhar um papel determinante na acção, seja enquanto sujeito que a leva a cabo, seja enquanto sujeito que a impede ou a favorece, mas em simultâneo, a mesma personagem pode ser narrador, incarnar um tema, um valor ou um determinado período. Em qualquer dos casos, a mesma personagem assume uma dupla função, uma ao nível da acção e outra no plano da narrativa.

 

Ao escrever o seu romance não se esqueça, portanto, da importância das suas personagens!

 

Boa escrita!

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