Apesar das inúmeras correntes literárias, existe algum consenso quanto à ideia de que um romance deve ser estruturado. Contudo, é por vezes difícil dividi-lo em capítulos. Como saber quando deve começar e onde deve terminar um capítulo?

 

Monóculo_ capítulo

 

Na Monóculo, ao realizarmos pareceres de leitura ou ao tratarmos editorialmente um romance, deparamo-nos frequentemente com a dificuldade dos autores em separar por capítulos a sua obra. Os capítulos não começam nem acabam na altura mais acertada, o que em última instância prejudica a trama.

 

Seguem algumas dicas para o ajudar a não negligenciar estes “cortes”, tão úteis à sua obra:

 

Distancie-se da estrutura para identificar finais de capítulo

Se, ao escrever, sentir dificuldade em dividir o seu texto em capítulos, nada melhor do que tentar distanciar-se um pouco. Quando começar um romance, estruture o seu texto em função da trama e dos acontecimentos. Comece então a escrever e quando chegar a um momento que, na sua opinião, daria um bom final de capítulo, assinale-o. No final, reveja os momentos assinalados e escolha os que melhor correspondem a um final de capítulo.

 

Uma mudança = um capítulo

Na grande maioria dos romances, um novo capítulo implica a existência de uma alteração. É pois importante estabelecer “cortes” na obra quando se dá alguma mudança de lugar, de época ou de ponto de vista. Estas divisões também podem ocorrer aquando de uma mudança radical na própria trama, o que permite guiar o leitor em direcção a uma nova orientação da história.

 

Criar suspense graças aos capítulos

Os capítulos podem servir para reforçar o suspense. Para tal, pergunte a si próprio: como fazer para que o leitor que decidiu parar de ler no final deste capítulo não consiga pousar o livro de tanto querer saber o que se vai passar seguidamente? Os finais de capítulo em suspense são muito eficazes, é certo, mas não deverá abusar deles, pois se assim for o leitor acabará por prevê-los e o efeito desejado desaparecerá. Por outro lado, para que esta estratégia funcione, é necessário que o suspense seja uma dimensão real da história. Se tal não for o caso, o leitor rapidamente se aperceberá de que está a ser manipulado e o resultado não será, certamente, o desejado. Para além de uma cena de acção, o suspense pode ser conseguido com a revelação de algo num diálogo.

 

Artigo baseado nas dicas de Aaron Elkins em The Writer’s Digest.

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