A ficção exige múltiplas ideias que, por vezes, são difíceis de encontrar. No entanto, no quotidiano, a inspiração rodeia-nos por todo o lado! Seguem algumas dicas para que ela não lhe escape mais.

quotidiano

Observe quem o rodeia

Numerosos autores foram ou são, antes de mais, bons observadores. Mark Twain, por exemplo, criou a personagem de Huckleberry Finn (As aventuras de Huckleberry Finn, 1884) a partir de alguém que conhecera. O protagonista da história é uma réplica quase perfeita do seu amigo de infância, Tom Blakenship. A propósito da sua personagem, Mark Twain afirmava: “Tracei o retrato exacto do Tom Blakenship para descrever Huckleberry Finn. Era um ignorante, sujo, subnutrido, mas tinha um coração de ouro. Tomava todas as liberdades e era, no fundo, a única pessoa realmente independente da nossa comunidade. Neste sentido, ele era perpetuamente feliz e nós invejávamo-lo por isso”.

 

Analise a história e a actualidade

Para escrever As Vinhas da Ira, John Steinbeck inspirou-se directamente nos emigrantes da grande depressão. Vencedor do prémio Pulitzer, este romance aborda a injustiça social e as causas da pobreza e da opressão. Segundo o autor, tratava-se sobretudo de “expor os sacanas gananciosos responsáveis por tudo isto [a Grande Depressão e suas consequências]”.

As fontes de inspiração são, portanto, numerosas nos debates religiosos, sociais ou políticos. Se encontrar o que lhe convém, foque a sua atenção nesse tema e informe-se sobre o mesmo para ser credível e pertinente.

 

Coloque questões a si próprio

Considerado o melhor livro de ficção juvenil de 2008 pelo New York Times e pela Publishers Weekly, o livro e a trilogia Os Jogos da Fome, de Suzanne Collins, abordam um espectáculo anual de luta até à morte entre adolescentes. A autora partilha a forma como se inspirou para a escrita destes livros: “Uma noite em que estava muito cansada fiz zapping na televisão. Vi todas aquelas imagens dos reality shows, nos quais aqueles jovens competem para ganhar um milhão de dólares ou encontrar o amor. E depois acabei por ir dar a umas sequências da guerra no Iraque. Estes dois elementos fusionaram de forma avassaladora na minha mente: foi assim que nasceu a história de Katniss”. Observe o mundo ao seu redor. Alguns acontecimentos são horrendos, outros, belos. Quais serão as conexões que pode estabelecer entre realidades tão diferentes? Qual é a sua visão do futuro? Colocar a si mesmo estas perguntas é uma das melhores maneiras de encontrar a via da escrita.

 

Sonhar

Se tem a sorte de recordar-se dos seus sonhos ou aprendeu a fazê-lo, não hesite em tomar notas sobre os mesmos. Foi precisamente o que fez Stephen King no seu romance Misery, encontrando o mote para a sua história a partir do mundo dos sonhos, do seu próprio imaginário inconsciente. A propósito da sua inspiração, o autor revela: “Como em vários dos meus livros, as ideias vieram-me de um sonho. Dormitando no avião, imaginei uma mulher que mantinha um escritor preso antes de o matar e o esfolar. Depois de dar os seus restos aos porcos, a protagonista encadernou o romance escrito pela vítima com a sua própria pele. A sua pele, a pele do autor. Pareceu-me que deveria escrever esta história. É claro que a intriga foi ligeiramente alterada no decurso do processo de escrita”.

 

Fonte: Writing Forward

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