Há muito tempo que deseja escrever a sua própria biografia, mas tem medo de que a sua memória lhe troque as voltas? Afaste os receios! O processo autobiográfico implica necessariamente a introspecção, e apresentamos-lhe seguidamente quatro dicas que o poderão ajudar a fazer a triagem das suas memórias e a escrever uma biografia interessante e pertinente.

 

Seleccione as suas memórias para melhorar a estrutura da sua narrativa

 

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Escrever uma autobiografia pode parecer mais fácil do que escrever um romance, é certo. É verdade que conhece os acontecimentos já que os viveu, mas não se trata apenas de despejá-los directamente no papel. Se já tentou o registo biográfico sabe que tudo parece importante quando falamos sobre a nossa vida ou a da nossa família, desde os elementos mais dramáticos aos mais corriqueiros. Ao escrevermos sobre nós mesmos tendemos a redigir centenas de rascunhos nos quais evocamos episódios ou passagens inteiras da nossa vida. Os acontecimentos podem até ser reveladores ou perturbadores, mas no final não serão incluídos na narrativa por nada acrescentarem à mesma. Evite afundar-se nos seus numerosos manuscritos! Aprenda a separar as suas ideias e os seus rascunhos, a fim de obter uma autobiografia estruturada e pertinente.

 

 

Utilize a flexibilidade do género

 

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A cronologia pode não ser a ferramenta mais eficaz para organizar o seu texto. Evite pensar a sua autobiografia de acordo com planos do tipo “depois, depois… e então… e depois”, pois apenas servem para tornar opacas as experiências que deseja partilhar. A vida não se nos apresenta como um encadeamento de situações que se resolvem subitamente com alegria e bom humor! Crie conexões, sejam elas emocionais ou temáticas, entre os acontecimentos ou os episódios. Eles devem ecoar nas temporalidades paralelas que, por seu lado, poderão não ser necessariamente cronológicas.

 

 

Seja o protagonista e o antagonista da sua narrativa

 

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O prazer de ler uma boa autobiografia pode aproximar-se do prazer que sentimos na leitura de um romance de qualidade. Contudo, existe uma grande diferença: os leitores sabem que o autor vivenciou os acontecimentos que evoca, sentindo imediatamente empatia com a “personagem” e com o escritor. Mas tal não quer dizer que se deva focar na indução desse sentimento. Pelo contrário, não a procure! Tente não se apresentar, por exemplo, como figura perfeita ou trágica. Os seus leitores serão muito mais sensíveis à sua humildade e honestidade que apenas remetem para o partilhar da sua verdade. Numa autobiografia, a tensão narrativa repousa na luta do escritor entre as suas facetas boas e más, conducentes a actos por vezes nobres e outras vezes totalmente loucos.

 

 

Seja exigente com a sua memória

 

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“Como é que se consegue lembrar disso tudo?”. Esta pergunta recorrente provém, simultaneamente, da admiração e do cepticismo. Afinal, como é possível guardarmos na nossa memória os mais ínfimos detalhes e todas as palavras ouvidas? Por um lado, existem numerosos momentos e múltiplas conversas que são gravadas na nossa memória. O passado acompanha-nos e faz parte do nosso presente, já que as nossas experiências se sucedem. Por outro lado, algumas memórias são menos claras ou também podem ser enviesadas pelos outros. Para evitar estas situações e aproximar-se da verdade, transforme-se num arqueólogo! Faça buscas no passado e examine todos os elementos de uma perspectiva o mais crítica possível. A exactidão absoluta é impossível, mas pode aproximar-se mais e melhor da verdade.

 

Fonte: Publisher’s Weekly

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