A estrutura da narrativa, a consciência e a personalidade humana têm sido, ao longo dos séculos, alvo de toda a nossa atenção. Quantos não dedicaram as suas vidas a pensar e a procurar explicá-las? O galardoado escritor escocês Ewan Morrison propõe uma nova abordagem à reflexão cultural, baseada no estudo dos ciclos. Segundo o próprio, esta abordagem permitiria antecipar as próximas tendências editoriais, assim como escrever o texto certo no momento certo, em função da corrente literária em voga.

 

Como defendeu na Feira do Livro de Frankfurt, este mês, as grandes ideias simbolizam um conteúdo intrinsecamente ligado ao nível mediático e universalmente partilhado. Na sua perspectiva, os livros, os filmes e a arte em geral são expressões dessas grandes ideias que se manifestam ciclicamente. Mas de que ideais estamos a falar? Quais serão estes temas que reiteradamente são expressos pelos artistas?

O livro em 7 temas

Ewan Morrison aponta sete grandes ideias, sete grandes temas recorrentes na tradição livresca. Este número altamente simbólico está fortemente ancorado na literatura. Nos anos 40 do século XX, a análise das componentes basilares do enredo dos contos populares russos realizada por Vladimir Propp identificava sete características de personagens no conto – o agressor, o doador, o auxiliar, a princesa ou o pai, o que manda, o herói e o anti-herói. Em 2004, o jornalista e autor britânico, Christopher Booker evidenciava no seu livro The Seven Basic Plots: Why we tell stories sete enredos originais: o confronto com o monstro, da miséria à riqueza, a descoberta, a viagem e o regresso, a comédia, a tragédia e a ressurreição. Segundo Morrison, estes exemplos mostram que a narrativa e a criação das personagens repousam em fundamentos antigos e universais. Vejamos então os sete temas propostos:

 

A verdade de ser

Morrison fala aqui de introspecção. O questionamento é o princípio fundador desta ideia, muito em voga nos anos 20 e 50, e simbolizada pela ficção realista americana da década de 70 do século passado.

 

A distopia

Uma distopia ou antiutopia remete para uma narrativa que descreve uma sociedade imaginária, organizada de tal maneira que impede a felicidade e/ou a liberdade. Fenómeno literário destes últimos anos, a distopia não é recente. Platão, Hobbes, Rousseau ou ainda Orwell teceram obras verdadeiramente incontornáveis abordando este tema.

 

O amor e a luxúria

Esta grande ideia dominante mos anos 60 do século XX, antes de ser banida durante aproximadamente quatro décadas, manifesta-se hoje claramente nos romances O Crepúsculo de Stephenie Meyer ou Cinquenta sombras de Grey de E. L. James.

 

Os heróis

Desde sempre poupulares, os heróis pululam na literatura, sendo este tema incarnado na perfeição nas ficções da Marvel e da sua eterna rival, a DC Comics.

 

O sobrenatural

Elemento-chave em numerosos filmes dos anos 70, o sobrenatural permanece hoje repleto de promessas para o futuro.

 

A nostalgia

Esta ideia, muito em voga no início deste século invadiu o nosso imaginário com um estilo retro, quer na música, quer na moda.

 

O mal

Os assassinos em série do final do século XX personificam este tema, seja nas páginas dos livros, seja nas telas dos cinemas, ou nas séries de televisão.

 

Fonte: Ewan Morrison  ̶  Publishing Perspectives

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