Quem se inicia nas lides da edição independente depressa se apercebe de um conjunto de ideias veiculadas que podem constituir uma verdadeira barreira à criação literária e à partilha de conhecimentos e vivências.

 

Afirmar que escrever um livro implica energia e perseverança é a mais pura das verdades, mas alguns autores em devir deixam-se arrastar depressa demais por pensamentos parasitas, dando demasiado crédito a certos “mitos” sobre os escritores, a escrita e o mundo da edição.

 

Quantos não desistem antes de, sequer, tentar realmente? Quantos não protelam o sonho que sempre acalentaram, resistindo a dar o salto e alcançar o seu objectivo e desejo?

 

Não ceda às ideias preconcebidas sobre a edição! Vejamos alguns destes “mitos” ou “desculpas” que fazem com que demasiados projectos interessantes fiquem na gaveta.

 

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São muitos os ursos e pouco o mel!

 

É verdade que se decidiu escrever um romance juvenil sobre vampiros está em competição directa com outros escritores. Porém, se entrar nesta linha de raciocínio, rapidamente se aperceberá que na Literatura os temas são recorrentes, independentemente das modas e das tendências de mercado. Sempre se escreveu sobre amor, ódio, paz, guerra, amizade, desejo, vidas, o ser humano, etc. Na realidade, a única pessoa com quem está a competir é consigo mesmo. Pergunte-se todos os dias como é que pode melhorar e ser hoje melhor escritor do que foi ontem.

 

 

É impossível escrever um livro sem computador.

 

Desde quando?! Tudo o que precisa para escrever um livro é de uma esferográfica e de folhas de papel. Sabia que existem muitas correntes que defendem os benefícios de escrever à mão? Nas palavras do escritor norte-americano Norman Mailer, duas vezes premiado com o Prémio Pulitzer, o autor “sente que todo o seu corpo e um pouco do seu espírito desceram para as pontas dos seus dedos”, como se houvesse algo de físico na conexão entre a caneta e o papel que se distingue da relação com o teclado do computador. É verdade que, nesta era tecnológica, precisará mais tarde de passar o seu manuscrito para formato digital, mas isso não quer dizer que necessite de tecnologia para escrever!

 

 

A escrita deve estar perfeita logo à primeira.

 

Se ao reler o que escreveu pensar: “Isto não vale nada!”, não se assuste. Nada de mais normal. O primeiro esboço é muitas vezes sinónimo de confusão, mas é necessário. Tal como acontece com tantas outras competências, escrever implica tempo e prática. Ora, é frequente que os autores em devir não dêem tempo ao tempo, esperando que as primeiras linhas ou páginas do manuscrito se assemelhem logo ao resultado final: a um livro. Com esta atitude, apenas conseguem um resultado: o insucesso. Como aconselhava Virginia Woolf nas suas Cartas a jovens poetas, “ninguém é obrigado a partilhar o primeiro (o segundo ou o terceiro) esforço que realizou”.

 

 

É obrigatório ter um espaço só seu para escrever.

 

Já que referimos Virginia Woolf, é verdade que defendia que uma mulher precisava de um espaço seu para escrever, mas também afirmou serem necessários 500 livros por ano para o fazer! Estas eram as condições ideais, segundo a autora de Mrs. Dalloway, para escrever. Mas o local que cada escritor elege para dar largas à sua arte depende de cada um. Há aqueles que preferem o recato e o silêncio, outros que optam por espaços públicos. Existem tantos sítios onde se pode escrever como autores. Tudo depende de si, da sua personalidade e do que precisa para se sentir confortável a escrever.

 

 

É condição estar inserido numa rede.

 

É claro que as redes assumem actualmente uma grande importância, mas fazer parte de uma rede não é sinónimo de escrever. Deixe, por ora, o marketing e as redes e concentre-se na sua escrita: de que valem, se ainda não tem nada para partilhar? Será uma vantagem conhecer o mercado do livro, como é óbvio. Contudo, o primeiro passo de todos é escrever!

 

Para conhecer o maravilhoso mundo da edição livre clique aqui.

 

 

Para que um manuscrito seja publicado é preciso ter cunha!

 

Esta é uma ideia muito veiculada que deixa de fazer qualquer sentido quando se opta por uma publicação independente. É certo que uma boa rede de contactos ajuda na divulgação de uma obra, mas isso não significa que tenha de conhecer pessoas do meio editorial para publicar o seu manuscrito, nem que a dita Edição Tradicional seja o único meio para o fazer. Actualmente tem à sua disposição inúmeras plataformas e profissionais da Edição que o podem ajudar a alcançar o seu objectivo. Mas, à semelhança das redes, este não é o primeiro passo para arregaçar as mangas e começar a escrever.

 

Para se tranquilizar, veja a quantidade de serviços profissionais que o podem ajudar a realizar o seu projecto de publicação, clicando aqui.

 

 

Apenas os livros de grande público se vendem.

 

Os best-sellers são, sem dúvida, uma parte essencial do mundo editorial das últimas cinco décadas. Contudo, pensar que este sector se resume aos mesmos é redutor e não corresponde à realidade. Para além das ditas edições de fundo de catálogo das editoras, a edição independente em ascensão clara vem mostrar o quanto projectos de menor dimensão podem atingir o sucesso. Nem todos os livros são feitos para atingirem milhares de vendas, mas isso não implica que não sejam de qualidade e que não exista um público específico e leal. Se fosse esse o caso, apenas livros bombásticos teriam sucesso, o que não é, nem de perto, nem de longe, verdade. Se tem algo a partilhar e sente necessidade de o fazer, faça-o. Deixe os grandes números para os grandes grupos, os grandes livros sempre existiram e continuarão a existir!

 

Fontes: Bertrand Legendre (2009), Envie d’écrire (2011).


 

 

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Se decidiu avançar para uma edição independente, as redes sociais são parceiras ideais para promover a sua obra, desde que saiba como fazê-lo de forma adequada, respeitando estes canais e quem lá se encontra.

 

 

 

 

1. Atenção às mensagens demasiado curtas.

As injunções do género “Compre o meu novo Romance” nunca darão vontade aos leitores de comprarem o seu livro!

 

2. Cuidado com as mensagens demasiado longas.

Não é preciso publicar um monólogo de 15 linhas para convencer seja quem for a adquirir o seu livro acabado de sair do prelo ou de ser publicado online. Após duas a três linhas, os seus leitores e potenciais compradores passam a outra notícia…

 

3. Fuja das mensagens idênticas.

Adapte as mensagens aos seus públicos e contextos. Não faz sentido escrever exactamente a mesma coisa num tweet e na página de fãs do seu livro.

 

4. Não se reduza ao texto.

Os seus seguidores gostam de imagens. Tire fotografias do seu livro, seja criativo e abandone a ideia de apenas comunicar com texto. Este já se encontra, e bem, no seu livro, certo?

 

5. Evite mensagens mal dirigidas.

O seu livro destina-se a um público de apaixonados por universos poderosos— romance histórico, romance policial, etc. Mantenha como prioridade dirigir-se ao universo que mais se adequa à sua obra. Enderece mensagens aos media, jornalistas e bloguistas desse mesmo universo. Verá aumentar exponencialmente as probabilidades de promoverem o seu livro.

 

6. Basta de mensagens impessoais.

Por trás de cada livro encontra-se… um autor, pois claro: uma personalidade. Dê-se a conhecer. O seu percurso, as suas novidades constituem informação que permite aos leitores conhecerem-no e criarem conversas online que darão vontade de o ler.

 

7. Deixe de publicar mensagens sem links.

Lembre-se de adicionar links para o seu blogue, a sua página Facebook, etc. Se não o fizer estará a desperdiçar o impacto da sua presença nas redes, e a gastar cartuchos digitais em vão.

 

8. Esqueça a publicação de mensagens destituídas de conteúdo.

É um autor, certo? Publica livros, logo conteúdos, verdade ? Para dar vontade de saber mais, é importante dar um pouco. Construa conteúdos sobre os seus livros, os seus ambientes, a sua escrita, etc.

 

9. Em nenhuma circunstância deixe de ser bem-educado.

Nunca, em circunstância alguma, publique nos murais de outras pessoas que não o conhecem e sem ter pedido autorização para o fazer.

 

10. Não se esqueça que menos é mais.

Evite enviar demasiadas mensagens sobre o mesmo assunto. A criatividade não se esgota na escrita do livro, ela é necessária para o divulgar. Diversifique as suas mensagens e procure ser o menos cansativo possível.

 

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Este Natal, a Monóculo promoveu um desafio para que poetas anónimos pudessem partilhar a sua veia poética. Na sua página do Facebook, os participantes publicaram até ontem os seus poemas alusivos à quadra festiva. A pessoa que mais gostos recebeu, foi a grande vencedora do desafio.

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E a vencedora foi Sara Cabral Silva com um poema da sua autoria, intitulado “Simbolismo do Natal”:

 

“Paira no ar um aroma
e reina a expetativa
é o Natal a chegar
uma época bem festiva!

 
É tempo de reboliço,
do amor à porta bater.
− Entre mestre, por favor,
sente-se e ore por nós a valer.

 
Oh Natal, que simbolismo carregas!
Leva o teu espírito aos cantinhos
enche as mãos cheias de nada
e aquece os corações de miminhos!

 
Natal, vem transformar o mundo
seca as lágrimas, acende as velas
desta gente que se convenceu
que o mundo se esqueceu delas…

 
Em boa verdade pergunto:
haverá algo melhor do que pegar na magia do Natal e trazê-la consigo no bolso, polvilhando-a à toa, por algures, por nenhures, com um sorriso tatuado no rosto e na alma?”

 

 

Parabéns à vencedora e a todos aqueles que participaram neste desafio!

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É já neste domingo que Rui Barbosa apresenta o seu livro de estreia, Minas dos Carris − Histórias Mineiras na Serra do Gerês, resultado de um trabalho pessoal de investigação de mais de sete anos sobre um complexo mineiro cuja(s) história(s) merecia ser conhecida do grande público.

 

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Concretizada graças ao sucesso da campanha de crowdfunding levada a cabo pelo autor − um dos primeiros a apostar nesta metodologia de apoio em Portugal −, esta edição independente realizada pela Monóculo é apresentada neste fim-de-semana, no dia 15, pelas 15h30, no Museu da Geira em São João do Campo, Terras de Bouro.

 

Ao autor juntar-se-ão José Carlos Pires, José Moreira e João M. Gil, numa sessão que contará também com a actuação do grupo de música popular, Orquestrina.

 

Para mais informações sobre esta obra de referência do património regional e nacional,

clique aqui.

 

 

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Apesar das inúmeras correntes literárias, existe algum consenso quanto à ideia de que um romance deve ser estruturado. Contudo, é por vezes difícil dividi-lo em capítulos. Como saber quando deve começar e onde deve terminar um capítulo?

 

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Na Monóculo, ao realizarmos pareceres de leitura ou ao tratarmos editorialmente um romance, deparamo-nos frequentemente com a dificuldade dos autores em separar por capítulos a sua obra. Os capítulos não começam nem acabam na altura mais acertada, o que em última instância prejudica a trama.

 

Seguem algumas dicas para o ajudar a não negligenciar estes “cortes”, tão úteis à sua obra:

 

Distancie-se da estrutura para identificar finais de capítulo

Se, ao escrever, sentir dificuldade em dividir o seu texto em capítulos, nada melhor do que tentar distanciar-se um pouco. Quando começar um romance, estruture o seu texto em função da trama e dos acontecimentos. Comece então a escrever e quando chegar a um momento que, na sua opinião, daria um bom final de capítulo, assinale-o. No final, reveja os momentos assinalados e escolha os que melhor correspondem a um final de capítulo.

 

Uma mudança = um capítulo

Na grande maioria dos romances, um novo capítulo implica a existência de uma alteração. É pois importante estabelecer “cortes” na obra quando se dá alguma mudança de lugar, de época ou de ponto de vista. Estas divisões também podem ocorrer aquando de uma mudança radical na própria trama, o que permite guiar o leitor em direcção a uma nova orientação da história.

 

Criar suspense graças aos capítulos

Os capítulos podem servir para reforçar o suspense. Para tal, pergunte a si próprio: como fazer para que o leitor que decidiu parar de ler no final deste capítulo não consiga pousar o livro de tanto querer saber o que se vai passar seguidamente? Os finais de capítulo em suspense são muito eficazes, é certo, mas não deverá abusar deles, pois se assim for o leitor acabará por prevê-los e o efeito desejado desaparecerá. Por outro lado, para que esta estratégia funcione, é necessário que o suspense seja uma dimensão real da história. Se tal não for o caso, o leitor rapidamente se aperceberá de que está a ser manipulado e o resultado não será, certamente, o desejado. Para além de uma cena de acção, o suspense pode ser conseguido com a revelação de algo num diálogo.

 

Artigo baseado nas dicas de Aaron Elkins em The Writer’s Digest.

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Há muitas décadas que o Cinema se apropriou do livro.

 

Não há ano que passe em que não seja noticiada a última adaptação de um best-seller ou de uma obra literária de referência — podem não significar a mesma coisa.

 

Vejamos o que quatro autores têm a dizer sobre a adaptação feita às suas obras.

 

James Ellroy, muito sóbrio e sucinto:

 

Brown Requiem, sem comentários. Cop, sem comentários. LA Confidential, filme maravilhoso. The Black Dahlia, filme maravilhoso.”

 

 

Anne Rice, acerca da adaptação de Entrevista com o Vampiro:

 

“Fiquei particularmente surpreendida pela escolha de Tom Cruise que está para o meu vampiro Lestat como Edward G. Robinson está para Rhett Butler.” Depois de ter visto o filme, a autora disse ter gostado.

 

 

Bret Easton Ellis, nada convencido pela adaptação de A Última Viagem em Beverly Hills:

 

“Estava fantástico. É por isso que foi melhorando à medida que foi envelhecendo. Envelheceu bem. Suponho que se não houvesse o romance, gostaríamos ainda mais dele, mas há o romance que acaba por estragar tudo.”

 

 

Vladimir Nabokov, antes de ver Lolita, de Stanley Kubrick:

 

“Este filme pode resultar numa encantadora bruma matinal, tal como a vemos através de um mosquiteiro, ou pode equivaler às curvas de uma estrada panorâmica, tal como um passageiro na horizontal pode sentir numa ambulância.”

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Sessão de apresentação

 

Mais um fim-de-semana intenso para
a autora Rossana Appolloni que, acompanhada de Elsa David e da actriz Suzana Borges apresentou no sábado passado na Livraria Barata, em Lisboa, o seu livro de estreia, realizado pela Monóculo, Ousar ser feliz: dá trabalho mas compensa!

 

 

Umas semanas após o sucesso da sessão de lançamento da obra, no teatro A Barraca, foram várias as dezenas de amigos, familiares e colegas da autora que responderam presente a uma apresentação alegre e interactiva, desta feita em contexto de livraria.

 

Para mais informações sobre a sessão, aceda à reportagem fotográfica clicando aqui.

 

 

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Procure na Wikipédia ou em qualquer enciclopédia de referência que tenha na sua estante personagens históricos.

 

Escreva um episódio de ficção sobre a sua vida — um encontro fortuito com outro personagem célebre, por exemplo — ou atribua-lhe um segredo e escreva sobre o assunto.

 

 

Boa escrita e até à próxima dica…

 

Ilustração: D. Afonso Henriques na conquista de Lisboa aos Mouros (1147) — Fonte: Calendário de parede antigo.

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É com imenso prazer que anunciamos a concretização de mais um projecto editorial independente, Minas dos Carris — Histórias Mineiras na Serra do Gerês, livro de estreia de Rui Barbosa.

 

A dois dias de terminar a campanha de crowdfundingcujo sucesso viabilizou financeiramente a realização do projecto, e após umas semanas intensas de trabalho editorial com o autor, a obra encontra-se agora em fase de produção, como costumamos dizer: no prelo!

 

Dentro de poucas semanas o resultado da investigação, de mais de sete anos, levada a cabo por Rui Barbosa, estará pronta para ser partilhada e folheada…

 

Produção do livro Minas dos Carris - by Monóculo

 

Mantenham-se, pois, atentos: muitas novidades sobre esta obra estão por vir.

 

 

 

 

 

 

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